quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

A faculdade de despojar-se

Paulo Brabo


O Filho do Homem, que propunha incessantemente que não havia nada de errado em acumular riquezas, a não ser uma imaculada insensatez, gostava de pontuar que havia uma única e inequívoca vantagem em possuir: a capacidade de despojar-se. Em suas histórias todos despojam-se, e de todas as coisas: o rico comprador de pérolas, o pai do rapaz que pede a herança, o samaritano na beira da estrada, o cidadão de quem exigem a túnica, a viúva pobre diante de sua única moeda, o príncipe diante da soma imperdoável, o dono da fazenda e seu filho diante de seus agricultores.

Foi essa, obviamente, a faculdade que Jesus quis apontar ao jovem rico que cumpria desde a sua infância todos os mandamentos.

Venda tudo que você possui e dê aos pobres.

A subversão que ele...

A subversão que ele propunha era de fato assombrosa. Jesus estava na verdade dizendo, abrace sua posição privilegiada e a oportunidade que apenas você tem: despoje-se. Ouse, transgrida; deleite-se e refestele-se na arrebatadora liberdade de despir-se, ainda no caminho, do que o limita e constrange o seu avanço.

Não foi, obviamente, a fé na suficiência da riqueza que impediu o jovem rico de dar o temível passo que o faria avançar; ninguém de fato acredita na suficiência da riqueza, especialmente e em primeiro lugar os ricos. O que o impediu de avançar foi sua fé, sua exorbitante fé, na suficiência dos mandamentos.

Cumprir a justiça é sempre confortável e limitante demais, pelo que o rabi de Nazaré insiste que a justiça deve ser constantemente ultrapassada (ai de vocês se a sua integridade não exceder a dos mais devotos carolas). E o que pode ultrapassar a justiça é apenas o amor, que não tem critérios (dê aos pobres) e não admite exceções (venda tudo que você tem).

Para o jovem rico, dar ouvidos a Jesus teria representado pisar descalço e sozinho e nu o terrível terreno da liberdade e da responsabilidade – o imoderado domínio que se chama reino de Deus, – mas para adentrá-lo teria sido necessário despojar-se dos mandamentos.

E isso ele não ousou fazer, porque os tinha cumprido desde a infância.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

BEM-AVENTURADOS OS INSACIÁVEIS!

Caio Fábio


Mateus 5:6; 6:25-34

O conceito humano de SANTIDADE relacionado ao mundo material, faz com que se admire uma pessoa e sua espiritualidade tanto mais quanto essa tal pessoa possa viver em simplicidade, com muito pouco, ou quase nada; e, assim, nesse estado, viva contente.

Desse modo, quanto menos uma pessoa precise para viver, mais revela sua beleza e sua perfeição de consciência; e mais será admirada pelos homens. Assim, quanto MENOS prisão e desejo pelo que é material, mais liberdade e contentamento.

Mas esse mesmo princípio—o de desejar pouco, ou quase nada—não se aplica em relação a Deus. No que respeita a Deus a SANTIDADE é a sede, é a fome, é a necessidade, é busca, é o desejo de ter mais, de ser mais em Deus e para Deus...e que é fruto de se saber como um “MENOS”, como o menor, como o mais carente.

“Dos pecadores eu sou o principal”—dizia Paulo.


Portanto, quanto mais imperfeito for o homem para si mesmo, e quanto mais carente de Deus, tanto mais perfeito será o seu imperfeito caminhar.

Precisar de Deus não é vergonha. Alias, nada eleva tanto um ser humano quanto sua pobreza espiritual, sua fome, sua necessidade.

Nada há mais horrível do que se ver alguém que passa pela vida sem sentir falta de Deus; sem achar que precisa Dele.

Afinal de contas, o que é o homem?

Jesus disse em Mateus capítulo seis que o homem não é um show cósmico de ornamentos. Lírios são externamente mais belos!

A vida do homem não consiste nos bens que possui, e nem sua beleza humana se manifesta como afirmação de pobreza como virtude.

O que torna um homem grande é sua pequenez; e, sobretudo, sua consciente carência de Deus!

Assim, paradoxalmente—como sempre—, o grande poder de um homem vem de sua total consciência de fraqueza.

Sim, o poder de um homem vem de sua total admissão de incapacidade quanto a realizar qualquer coisa. Sim, o poder do homem vem dele dizer e crer que sem Deus nada se pode fazer.

Quando sei que não posso Nada, então, nada podendo, Deus pode por mim.

Desse modo, a virtude humana diante de Deus é o inverso de sua virtude diante dos homens; pois se entre os homens o santo é que não precisa de quase nada, e vive contente; todavia, diante de Deus, o homem que caminha em perfeição é justamente o que carece, o que quer mais, o que não se contenta...e tem sede.

Isto porque mesmo que alguém aprenda a se contentar materialmente com Nada, ou quase isso; no entanto, em Deus, e no espírito, ele só será coerente com seu próprio caminho de simplificação material, se, todavia, viver como alguém que pede, busca, bate, e confessa total carência.

Isto porque aquilo que é elevado diante dos homens, disse Jesus, é abominação diante de Deus; inclusive o show de simplicidade e virtuosismo material—pela simplificação dos desejos materiais—, que de nada vale se o coração não viver sempre com fome, e almejando comer o Pão que está na mesa de Deus.



Caio

terça-feira, 6 de outubro de 2009

A Regra do Argueiro da Fé

Paulo Brabo

Ao contrário de nós, Jesus não tinha medo de que as pessoas se recusassem a ter fé em Deus: o que ele temia era a conduta dos que afirmavam ter. A falta de fé só deve ser lamentada quando não há evidência de fé em quem afirma que a tem.

Certa vez, numa conversa à beira do Jordão, Tomé articulou a coisa da seguinte forma (e imediatamente dei a essa sua fórmula o nome de “Regra do Argueiro da Fé”): Não lamente a falta de fé dos outros: lamente a sua própria conduta.

Fragmentos do Segundo Evangelho de Pedro, XII, 3-5

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Mais do Mesmo


FONTE: Cristianismo Hoje

São seis horas da manhã de um domingo e algo anormal acontece na região central da cidade de São Paulo, geralmente deserta no primeiro dia da semana.

Veículos e pedestres disputam lugar na Rua Carneiro Leão, que abriga a sede da Igreja Mundial do Poder de Deus (IMPD), a mais nova denominação neopentecostal de grande porte a surgir no cenário brasileiro. Dentro do enorme salão, antes utilizado por uma fábrica e agora chamado Templo dos Milagres, cerca de 15 mil pessoas parecem hipnotizadas pelo discurso do homem de meia-idade, negro e alto que está sobre o palco. O cenário lembra uma mistura de romaria católica, com fiéis segurando esperançosamente fotos de parentes, carteiras profissionais e garrafas de água – objetos que mais tarde serão ungidos –, e arena de boxe, com refletores e câmeras de tevê iluminando o tablado central. Não se pode perder uma cena sequer – afinal, todo o material gravado vai ao ar nos diversos horários que a igreja ocupa na tevê. O foco das atenções é Valdemiro Santiago de Oliveira, 45 anos, o apóstolo da denominação. Com inconfundível sotaque mineiro – é natural da pequena cidade de Palmas, interior de Minas Gerais –, o pregador movimenta-se de um lado para o outro, com bom domínio de cena.

Entre suas pregações feijão-com-arroz, ele se define, rindo, como “roceiro” e “comedor de angu”. Abraça as pessoas, chora com elas e derrama grossas gotas de suor, prontamente enxutas com uma toalhinha que depois é disputada pelos fiéis. Microfone em punho, Valdemiro entrevista pessoas da platéia. Testemunhos de cura de câncer, Aids, surdez, miopia se misturam a relatos de famílias restauradas, filhos que largaram as drogas e empregos que caíram do céu, tudo contado sob forte emoção. Tanta efervescência tem feito com que a Igreja Mundial cresça e apareça. Nascida há pouco mais de dez anos, em Sorocaba (SP), a denominação já alardeia possuir 500 templos em quase todo o país, além de representações em Portugal, Espanha, Japão e Moçambique, bem como nos vizinhos Uruguai, Argentina e Colômbia. Não se tem estatística confiável sobre o número de membros, mas os templos surgem aos borbotões pelos centros urbanos, repetindo o que aconteceu, em tempos idos, com duas outras gigantes neopentecostais: a Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), surgida em 1977, e a Igreja Internacional da Graça de Deus, fundada em 1980 como dissidência da primeira.

O avanço da IMPD chama a atenção de especialistas, que já enxergam uma inevitável concorrência. “O crescimento da Igreja Mundial põe em evidência uma feroz disputa por fiéis”, opina o professor Ricardo Bitun, doutor em ciências sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Autor da tese Igreja Mundial do Poder de Deus: Rupturas e continuidades no campo religioso neopentecostal, o especialista diz que o aparecimento da denominação trouxe à tona um controvertido fenômeno entre os evangélicos que materializa aquela máxima de que “nada se cria, tudo se copia”: “Encontrei muitos pastores, não só entre os da Mundial, que imitam os trejeitos de Valdemiro. Falam com o mesmo sotaque mineiro, andam pelo púlpito, apertam os fiéis entre os braços”, observa.

Além da clonagem de estilo, que se assemelha ao processo que ocorre na Universal – onde os pastores imitam a voz e até os gestos manuais do líder supremo, bispo Edir Macedo –, Valdemiro Santiago tem muito mais a ver com a Iurd. Foi lá que ele se converteu e foi lançado no ministério religioso, pelas mãos do próprio Macedo. Durante 18 anos, militou na Universal, primeiro como pastor, e depois bispo. Foi missionário e ajudou a expandir as fronteiras da denominação na África.


“Mochileiros da fé” – O dirigente da IMPD dá muita ênfase ao relato de um salvamento no Oceano Índico, narrado em seu livro O grande livramento. Ele conta que só não se afogou porque foi resgatado por anjos. “A narrativa espetacular, de alguém que foi salvo da morte, fortalece sua imagem de homem de fé e valoriza seu discurso”, observa Bitun, deixando claro que não questiona se a história é verdadeira ou não. O motivo da saída de Valdemiro da Universal teriam sido desentendimentos acerca da nomeação de novos bispos para a cúpula da igreja, processo que o próprio Macedo faz questão de capitanear pessoalmente. Fato é que uma pequena reunião domiciliar com outras dezesseis pessoas, entre as quais a mulher de Valdemiro, Franciléa, e as duas filhas, Rachel e Juliana – mais tarde alçadas aos cargos de, respectivamente, bispa, missionária e ministra de louvor –, logo começou a expandir suas tendas. Um salão alugado aqui, um cinema adaptado ali, e a Mundial foi crescendo, visando à mesma fatia de público que a Universal e a Graça: as classes de C para baixo.

“É o que chamo de mochileiros da fé. Há muitos membros egressos da Graça e da Universal, inclusive pastores e obreiros”, continua Ricardo Bitun, que também é pastor e professor de ciências da religião na Universidade Mackenzie. A disputa por almas entre as três denominações já se faz sentir de maneira intensa. As provocações contra outras igrejas são, de certa forma, incentivadas pelo apóstolo da IMPD. É comum ele entrevistar pessoas que narram suas frustrações em outras igrejas e suas conquistas na Mundial. “Ele diz: ‘Lá não aconteceu, é? Vem pra cá, Brasil, aqui o milagre acontece’. É uma forma de dizer que apenas ali e, não nas concorrentes, está a bênção”, conclui Ricardo Bitun. Não por acaso, “Vem pra cá, Brasil”, é o bordão da programação televisiva da Mundial.

Valdemiro se diz perseguido por líderes evangélicos e políticos. Diz que querem fechar suas igrejas e tirá-lo da televisão. Sem mencionar o nome, faz menção a um pregador muito “educadinho”. “Ele diz ser missionário”, provoca o líder da Mundial, numa clara alusão ao fundador e dirigente da Igreja da Graça, Romildo Ribeiro Soares, o R.R.Soares, outro que faz da telinha um púlpito para entrar em milhões de lares pelo Brasil afora (ver quadro).

Animosidade – Milagre é o assunto predileto de quem vai à Igreja Mundial do Poder de Deus. A maioria dos fiéis diz ter uma história para contar. “Ele é um homem ungido”, diz Isabel Clementino Ferreira, 52 anos, referindo-se a Valdemiro. Como prova da cura que diz ter recebido, gesticula amplamente os braços. “Tinha tantas dores que não conseguia fazer esses movimentos”, explica. Ao lado, as pessoas assentem com a cabeça. A comerciária Ângela Maria Marques da Silva, 53, chega para a conversa e começa a contar sua história de três anos na Igreja Universal, onde, segundo ela, nunca recebeu “a bênção”. “Aqui, com o apóstolo, fui curada de uma hérnia de disco e um mioma no útero. Quando ele chega, dá para sentir uma presença diferente no lugar”, acredita, reverente.

A mulher abre sua pequena Bíblia e lê a passagem de Mateus 24, onde Jesus afirma que derrubaria o Templo de Jerusalém e o reconstruiria em três dias, numa alusão à sua morte e ressurreição. “Sabe o que é isso? São os falsos profetas. Vê só a Renascer que desabou. Aqui, é diferente”, diz, com orgulho. A tragédia, ocorrida no dia 18 de janeiro, quando o templo-sede da Igreja Renascer em Cristo, também em São Paulo, veio abaixo, provocou a morte de nove crentes. A animosidade demonstrada pelos membros da Mundial é um eco do que é dito em seu púlpito. Em recente programa de tevê, Valdemiro se queixou que o “pastor educadinho” teria articulado com políticos maranhenses para que ele não pudesse usar o ginásio municipal da capital daquele estado, São Luís, para seus cultos. “Mas foi melhor, fizemos na praça e reunimos muito mais pessoas que caberiam no ginásio”, desdenha. Procurada por CRISTIANISMO HOJE para dar sua versão sobre o acontecido, bem como responder às insinuações do líder da Mundial, a Igreja da Graça não retornou os contatos da reportagem. Da mesma forma, a Igreja Universal, embora tenha solicitado que as perguntas fossem feitas por e-mail, não respondeu questionamentos acerca de suposta evasão de seus fiéis em direção à IMPD.

Hierarquicamente subordinado a Valdemiro, o pastor Ronaldo Didini é o homem forte da IMPD. Só que, ao contrário do chefe, que se reconhece simples e de pouca instrução, Didini é articulado, preparado e tem extrema vocação empresarial. É ele que está à frente da expansão corporativa da igreja, inclusive dando as cartas quando o assunto é televisão. Com passagem fulgurante pela Universal, onde se destacou como apresentador do extinto programa 25ª Hora, exibido pela Rede Record e que marcou época na TV evangélica brasileira, Didini também passou pela Graça, tendo ajudado a consolidar a igreja de Soares na Europa. Mais tarde, fundou lá a própria denominação, a Igreja do Caminho, mas pouco mais de três anos depois estava de volta ao Brasil.

Didini conta que chegou em situação dificílima e que foi Valdemiro quem lhe estendeu a mão. Agora, faz questão de destacar as qualidades da casa nova. “A Mundial representa um movimento autêntico de fé”, afirma. “Nosso culto tem três horas e meia e não se vê o apóstolo pedir mais do que 15 minutos de oferta”, argumenta, numa crítica nada velada à Iurd, cujos cultos promovem verdadeiros leilões de bênçãos. Ele admite que esteve “cego” no passado, em relação à teologia da prosperidade – doutrina que fundamenta a atuação das igrejas neopentecostais e que foi pregada durante anos pelo próprio Didini e por Valdemiro, que agora a definem como “coisa do demônio”.


Pressão pelo dinheiro – O pesquisador Paulo Romeiro, doutor em ciências da religião pela Universidade Metodista e dirigente da Agência de Informações Religiosas (Agir), reconhece que a igreja de Valdemiro tem características que a diferem das organizações similares. “Sua metodologia diverge da praticada por outros líderes de igrejas neopentecostais. A maioria das pessoas que frequentam a Mundial é composta por gente simples, mas que se identifica com seu líder, que senta-se ao lado delas, abraça e chora com seus fiéis”, analisa. “Eu o comparo com o movimento que David Miranda, da Igreja Deus é Amor, e Manoel de Mello, de O Brasil para Cristo, fizeram entre os anos 1950 e 60, época da segunda onda do pentecostalismo brasileiro, baseado nas curas divinas – com a diferença de que está melhor preparado em termos de conhecimento e não enfatiza usos, costumes e doutrinas”, comenta Romeiro, que é pastor da Igreja Cristã da Trindade, na capital paulista.

No entanto, o estudioso acha que a Mundial já dá sinais de que logo será mais do mesmo. “O ministério de Valdemiro, assim como outras igrejas, direcionará suas ações pastorais para as necessidades imediatas das pessoas”, prevê. Ele lembra que a Mundial também usa símbolos de fé, como o copo de água, a rosa e o pão abençoado. “Isso é copyright da Universal”, brinca. Autor do livro Teatro, templo e mercado: Organização e marketing de um empreendimento neopentecostal (Editora Vozes), o professor Leonildo Campos, do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da Universidade Metodista de São Paulo, concorda: “De todas as dissidências da Universal, apenas a Igreja da Graça e a Mundial do Poder de Deus ‘deram certo’ nesse complicado processo de clonagem e de reprodução de igrejas e fórmulas semelhantes”, avalia.

N a visão do estudioso, o que está em jogo para a Mundial é sua consolidação no mercado religioso brasileiro – no que, a propósito, iguala-se às igrejas que tanto critica. “Esses novos empreendimentos religiosos, ao empregarem a visão de mercado, desenvolvem mecanismos de competição apropriados para tempos de pluralismo e diversidade religiosa na geração de sua própria marca publicitária.” Nesta análise, a Igreja Mundial é apenas mais do mesmo – “No neopentecostalismo, está cada vez mais difícil separar o novo do velho. Na disputa por um lugar ao sol, Valdemiro tem mais é que bater nos demais pentecostais ou evangélicos tradicionais.” Leonildo lembra outro ponto comum entre as denominações dessa linha teológica: a pressão pelo dinheiro, fundamental na manutenção dos enormes aparatos de mídia que montaram. O estudioso estima que o gasto mensal da IMPD com televisão chegue aos 5 milhões de reais mensais, embora o montante e a origem do dinheiro arrecadado sejam guardados sob sigilo absoluto. “A pressão pelo dinheiro já levou a uma monetarização dos cultos na Iurd, na Graça e na Renascer. Aqui, o milagre não acontece sem que os pastores, bispos ou apóstolos peçam dinheiro.”


Telinha disputada

Desde que assumiu 22 horas diárias na programação do Canal 21, da Rede Bandeirantes, Valdemiro Santiago, apóstolo da Igreja Mundial do Poder de Deus, evidenciou algo que até então era pouco falado: a guerra pela audiência evangélica na tevê brasileira. Além do Canal 21, a Mundial ocupa espaços na Bandeirantes, na Rede TV! e na Rede Boas Novas. A voracidade pela telinha se explica. Desde a década de setenta, quando televangelistas americanos como Pat Robertson, Rex Humbard e Jimmy Swaggart fizeram sucesso entre os crentes brasileiros, a TV se revelou o melhor espaço para ganhar almas para Cristo e fiéis para as igrejas.

O veterano missionário R.R.Soares está no ar desde 1980. Atualmente, a Igreja da Graça tem apostado suas fichas na própria emissora, a Rede Internacional de Televisão (RIT). Com programação diversificada, que inclui cultos, jornalismo, entretenimento, debates e infantis, entre outras atrações, a RIT tem abocanhado fatia grande do público evangélico. A Graça também investe pesado em TV aberta, com diversos horários comprados na Bandeirantes, CNT e Rede TV!

Já a Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) é dona da Record, a segunda maior rede da televisão brasileira. Embora o projeto de desbancar a Globo não passe de megalomania do bispo Edir Macedo – apesar de alguns triunfos sobre a rival, como a exclusividade na transmissão dos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012 –, a Record tem crescido e conquistado cada vez mais telespectadores e publicidade. Na Iurd, a estratégia é adquirir espaços na grade da Record para transmitir cultos e programas apresentados por seus bispos. Além da mídia própria, a igreja também compra horários na Rede TV!.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Silêncio

Por Eduardo Rosa Pedreira


Como qualquer outro tempo da história, o nosso é uma realidade complexa, com muitas variáveis e características. E duas delas saltam aos olhos por expressarem significativamente a lógica de fundo sob a qual nossa vida tem acontecido. A primeira pode ser chamada de culto à eficiência, ou a obsessão por resultados instantâneos. Para algo ser capaz de captar nossa atenção, despertar nosso interesse e ganhar espaço em nossa agenda, é necessário apresentar resultados concretos e rápidos – ou seja, deve provar sua eficiência. Quaisquer ações, exercícios, atitudes, processos ou pessoas incapazes de produzir resultados a curto prazo são descartados.

A segunda marca destes dias que vivemos apresenta-se como um círculo vicioso de inquietação. Radicalmente diferente de tempos outros, hoje nosso cotidiano está repleto de estímulos externos. Estamos numa sociedade over, onde tudo é encontrado às toneladas: informação, alimentos, cultura, arte, religião… Esta enormidade de opções nos faz viver inconscientemente uma angústia provocada pelo excesso. Alia-se a isto o fato de habitarmos cidades extremamente barulhentas. Sem que percebamos, nossos ouvidos captam inúmeros sons advindos dos mais variados objetos, pessoas e situações que compõem a complexa e incrivelmente barulhenta teia da vida urbana pós-moderna. Viver hoje é receber em um só dia enormes doses de estímulos e ruídos, tendo cada um deles poder de afetar nosso mundo interior, produzindo as mais diversas preocupações, ansiedades, distrações, perturbações inquietações.

Estabelece-se, então, o círculo vicioso da inquietação: um ambiente externo alimenta a inquietude do nosso mundo interior; e, por sua vez, é exatamente esta interioridade perturbada a responsável por um mundo cada vez mais barulhento e perturbadoramente estimulante. Falar da experiência do silêncio em tal contexto é, sem dúvida, nadar contra a correnteza.

Quando tudo, fora e dentro de nós, convida-nos ao barulho e à inquietação, buscar experimentar a quietude é uma árdua tarefa.

Além disso, nosso vício na eficiência vai perguntar: “Para quê serve o silêncio? Que resultados práticos ele proporciona?” Aparentemente, nenhum – por isso mesmo, essa procura pode parecer-nos desestimulante e ineficaz.

Mas, certamente, o silêncio tem, sim, um lugar importante na nossa vida e mais especificamente em nossa espiritualidade. Ele não é uma estratégia; antes, trata-se de uma disciplina espiritual. Portanto, promovê-lo não é apenas deixar de falar com os lábios, mas sobretudo calar as muitas vozes interiores. Este silêncio não é somente um jejum de palavras; é um esforço para aquietar ou mesmo domar as múltiplas perturbações interiores que nos assolam.

É precisamente esta a lição advinda da experiência do profeta bíblico Jeremias. Ele escreve um livro barulhento. Chama-o de Lamentações. Nele, registra suas inúmeras queixas para com Deus, com sua missão, com o seu povo, com seu mundo. O profeta grita seus lamentos grávidos de irritação, decepção, frustração, ansiedade e muita raiva contida. Sente-se perdido. Tudo que desejava era salvação de Deus. Pois ele a teve e depois reflete sobre esta experiência. “Bom é aguardar a salvação do Senhor, e isso, em silêncio” (Lamentações 3.26), relata. No deserto vivido pelo escritor bíblico, ele encontra no silêncio seu oásis. Ele nos convida a aguardar a salvação que vem de Deus numa postura de profunda quietude. Ao contrário do que possa parecer, aguardar em silêncio uma salvação que ainda não tinha vindo não é ruim ou angustiante para Jeremias – ao contrário, ele descreve esse processo como algo bom.

O silêncio da alma é um gozo a ser usufruído, um elemento curador da ansiedade. Ele nos acalma até que a salvação se faça presente em nossa vida. Este silencioso aguardar pelo socorro que vem do Senhor pode nos levar a uma profunda serenidade interior, uma libertação de perturbações inimagináveis, moldando-nos para ter uma espera tranqüila. Jeremias nos ensina que há lugar para o silêncio na nossa relação com Deus. Mais que isso: poder-se-ia mesmo afirmar ter o silêncio uma importância central na nossa experiência espiritual. Nas palavras do profeta, a quietude aparece quase que como uma condição para se usufruir desta salvação. Não há salvação fora do silêncio, pois este é o prelúdio para se experimentar aquela.

É preciso entender esta salvação mencionada pelo profeta no seu aspecto cotidiano. O que Jeremias descreve é a intervenção salvífica do Senhor de Israel naquele momento histórico. Não poderia ser de outra maneira, posto que se reduzirmos a salvação de Deus à eternidade, perdemos a sua beleza presente nas tramas e dramas da nossa existência. Assim, há uma dimensão da ação de Deus que nos salva da ansiedade, da inquietação, da perturbação – enfim, dos múltiplos encarceramentos vividos por cada um de nós. É de dentro deste contexto que o silêncio torna-se condição fundamental para se experimentar a salvação diária nascida no alto, porém concretizada dentro e ao redor de nós.

Eduardo Rosa Pedreira é doutor em teologia e pastor da Comunidade Presbiteriana da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

FONTE: Revista Cristianismo Hoje


segunda-feira, 21 de setembro de 2009

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Breve história do arrependimento

Por Paulo Brabo


Não é segredo que as palavras não se dão ao respeito: prestam-se a qualquer coisa e rebaixam-se a qualquer metáfora ou abuso (pressupondo-se que haja uma diferença). O problema apenas se acentua quando a comunicação é intermediada por milênios de distância cultural e o ruído babélico de traduções, traduções de traduções e lembranças de traduções. Mesmo levando-se tudo isso em conta, é unânime entre os que se preocupam com essas coisas que poucas palavras quanto esta sofreram maltratos tão acentuados e repetidos ao longo tempo.

A desfiguração do termo é tão completa que quem se depara hoje em dia com ele – tão simples: arrependimento – não apenas não tem como saber o que significava há dois milênios para os autores do Novo Testamento que semearam o seu uso na civilização ocidental; não há na verdade como determinar ao certo o que a palavra implica nos nossos dias.

Dependendo de quem está falando e de quem está ouvindo, “arrepender-se” pode significar “sentir remorso”, “lamentar e/ou abandonar uma vida ou conduta de pecado”, “converter-se [à religião de quem está falando]“,”voltar atrás [com relação a qualquer assunto ou posição]“. “Arrependimento” pode ser rigoroso ou ligeiro, sacro ou mundano, duradouro ou passageiro.

Os pregadores ainda esbravejam “arrependam-se”, mas não tem como estar certos de como são compreendidos. O que exigem com esse “arrependimento”? Contrição sincera? Culpa reconhecida? Pecado lamentado? Conduta reformada? Uma combinação de tudo isso? É algo que só deve ser experimentado uma vez, ou é uma atitude a ser renovada periodicamente? É trato da mente, da vontade ou do coração? Diz respeito à conduta passada ou à conduta futura? Passa apenas pela vida interior ou deixa impressões digitais na vida real? Quais são suas marcas e suas implicações, em todos os âmbitos?

Ninguém sabe e não teremos como saber, pelo menos enquanto estivermos dançando ao redor desta tradução. Inteiramente esvaziado de sentido pelos abusos a que o submetemos, o termo “arrependimento” deve aguardar sem rosto na beira do caminho, enquanto saímos pelo mundo em busca de conceito mais iluminador que possa recuperar-lhe as feições.

Podemos começar, por exemplo, pelas origens.

Mudei de idéia

Garantem-me os que se ocuparam de estudar essas coisas (e serve-me de guia Guy D. Nave, de cujo The role and function of repentance in Luke-Acts tirei todas as citações que seguem) que a palavra grega que foi traduzida como “arrependimento”, metanoia (bem como seu verbo correspondente, metanoeo), era utilizada pelos gregos (se bem que em menor escala) muito antes que a palavra fosse apropriada e popularizada pelos cristãos.

Mesmo os que afirmam que os autores do Novo Testamento e cristãos posteriores imprimiram à palavra novas e revolucionárias nuances concordam que esses partiram do peso que a palavra já carregava do seu uso anterior por poetas e filosófos pagãos.

E, para os gregos clássicos, metanoia significava mudar de pensamento, pensar diferente, reavaliar uma postura, mudar de idéia; implicava em mudança de mentalidade, de visão, de opinião, de propósito.

Escrevendo no quarto século antes de Cristo, o historiador Xenofonte diz assim:

Concluímos naquela ocasião ser mais fácil governar todas as outras criaturas do que governar homens. Porém, quando refletimos sobre a vida de Ciro, o persa, fomos levados a mudar de opinião, e julgar que governar homens pode ser tarefa nem impossível nem difícil.


Menandro, dramaturgo cômico do mesmo século, faz um de seus personagens dizer:

Deixo que você fique com uma de minhas possessões. Se gostar, fique com ela. Se não gostar, ou se mudar de idéia, devolva.


Falando a um tribunal, o orador Demóstenes, também do quarto século antes de Cristo, argumenta contra o seu oponente:

Que suspeito ele trouxe ao tribunal e foi capaz de condenar das acusações trazidas contra ele? Que decreto ele propôs do qual, depois de serem inicialmente persuadidos de sua legitimidade, vocês não escolheram mais tarde mudar de idéia?


Plutarco (45-125? d.C.):

Creio que os que, como homens que caem num poço, adentram irrefletidamente a vida pública, devem necessariamente experimentar confusão e começar a mudar de idéia sobre o acerto do seu curso de ação.


E:

Cypselus, pai de Periandro, quando era recém-nascido, sorriu aos homens que tinham sido enviados para matá-lo, e eles o pouparam. Quando esses mais tarde mudaram de idéia e foram procurá-lo, não o encontraram, porque sua mãe o tinha escondido num baú.


Fílon de Alexandria (25 a.C-50 d.C):

Deus não visita com a sua vingança aqueles que pecam contra ele, mas dá a eles tempo para que reavaliem a sua postura e remediem e corrijam sua conduta perversa.


Todos esses autores usam, nas palavras em negrito, o verbo grego cuja raiz é o substantivo metanoia, traduzido no Novo Testamento como “arrependimento”, e em cada caso o que querem denotar é uma mudança de idéia ou de postura.

As palavras só carregam sentido pelo seu uso anterior. Esse uso de metanoia pelos autores de fala grega sem dúvida orientou o a escolha da palavra por parte dos autores do Novo Testamento. Era como mudança de idéia ou reavaliação de postura que eles esperavam que metanoia fosse entendida pelos seus leitores.

Evidência ainda mais inequívoca disso é o uso de metanoia e seu verbo correspondente na Septuaginta, a tradução grega do Antigo Testamento que é a versão da Bíblia mais citada pelos autores do Novo Testamento.

E na Septuaginta metanoeo é usado consistentemente no sentido de mudar de idéia ou de opinião. Se não:

Também aquele que é a força de Israel não mente nem muda de idéia, porquanto não é homem para mudar de idéia (1. Samuel 15:29);

Por isso lamentará a terra, e os céus em cima se enegrecerão; porquanto assim o disse eu, assim o propus e não mudei de idéia, nem me desviarei desse propósito (Jeremias 4:28);
E rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes; e convertei-vos ao Senhor vosso Deus; porque ele é misericordioso e compassivo, tardio em irar-se e grande em benignidade, e muda de idéia com relação ao mal [que pretendia fazer]. Quem sabe ele não se voltará e mudará de idéia, e deixará após si uma bênção, em oferta de cereais e libação para o Senhor vosso Deus? (Joel 2:13-14);
Se em qualquer tempo eu falar acerca duma nação, e acerca dum reino, para arrancar, para derribar e para destruir; e se aquela nação, contra a qual falar, se converter da sua maldade, também eu mudarei de idéia do mal que intentava fazer-lhe. E se em qualquer tempo eu falar acerca duma nação e acerca dum reino, para edificar e para plantar, se ela fizer o mal diante dos meus olhos, não dando ouvidos à minha voz, então mudarei de idéia do bem que lhe intentava fazer (Jeremias 18:7-10);
Laço é para o homem dizer precipitadamente: É santo; e, uma vez feitos os votos, mudar de idéia (Provérbios 20:25);
“Quem sabe se se voltará Deus, e mudará de idéia, e se apartará do furor da sua ira, de sorte que não pereçamos?” Viu Deus o que fizeram, como se converteram do seu mau caminho, e Deus mudou de idéia do mal que tinha dito lhes faria, e não o fez (Jonas 3:9-10).


Pœnitentiam agite

O problema começou, naturalmente, quando a palavra começou a navegar na nossa direção através de traduções. E logo na primeira instância, na tradução direta do grego original do Novo Testamento para o latim da Vulgata, a transição foi espetacular.

Se é preciso demonstrar o ponto de que toda tradução é ideológica, bastará este exemplo: os patriarcas latinos escolheram traduzir o grego metanoia pelo latim paenitentia. O que estamos habituados a ler como “arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus” é em latim Pœnitentiam agite: appropinquavit enim regnum cælorum. Isto é, o que era “reavaliem sua postura”, ou algo parecido, passou a ser, sem rodeios, façam penitência.

Essa tradução foi orientada, sem qualquer dúvida, pela teologia prevalente no quinto século (e dali em diante), segundo a qual a salvação só podia ser obtida mediante a execução dos atos de justiça, caridade ou mortificação, fossem esses voluntários ou prescritos pelo padre após a confissão.

Numa única tacada, de metanoia a paenitentia, a percepção coletiva da humanidade sobre o sentido de metanoia/arrependimento foi alterada para sempre. Como se não bastasse, a própria integridade da mensagem bíblica em sua viagem pelo tempo estava agora em questão. Se os guardiões da ortodoxia podiam transformar “mudem de idéia” em “façam penitência”, estava agora claro que o próprio texto bíblico não estava imune, via tradução ou interpretação (visto que não há diferença), a virtualmente qualquer manipulação ideológica. “Amem os seus inimigos” podia muito bem ser reformado em “queimem-nos na fogueira” – como de fato acabou acontecendo.

Nosso problema, naturalmente, está em que as palavras e sentidos da Bíblia são ainda hoje submetidos a esse tipo de desfiguração. As palavras não se tornaram mais fixas, nós mais iluminados ou os portadores da ortodoxia mais dignos de confiança. Cada um persiste encontrando o que quer no texto que quer, e impingindo ao mundo a sua própria leitura. Se é Rick Warren que está lendo, Jesus aprova as guerras em geral e a do Iraque em particular; se é R.R. Soares quem está lendo, Deus quer que você seja rico, e o caminho é você dar o seu dinheiro para mim. As palavras prestam-se a qualquer coisa, e não é à toa que o Apóstolo concluiu, devidamente enojado, que a letra é letal em 100% dos casos. A mensagem da boa nova é de tal natureza que só pode ser transportada em palavras de carne embebidas no espírito – mas estou me adiantando.

Do arrependimento como sentimento até os nossos dias

Quando João Ferreira de Almeida escolheu traduzir o grego metanoia pelo português “arrependimento”, estava devidamente iluminado por traduções anteriores, como a inglesa de Tyndale (1526) e a Autorizada do Rei Tiago (1611), que usam os verbos correspondentes repent e o substantivo repentance.

Essas traduções foram instruídas, por sua vez, pelas ênfases da Reforma na importância da recuperação do sentido original dos textos bíblicos e, neste caso em especial, na rejeição da doutrina católica das obras como agentes da salvação.

Em todos os sentidos traduzir metanoeo como “arrepender-se” foi um tremendo avanço em relação ao latim “façam penitência”. A metanoia deixava de ser tráfico da carne e voltava a ser transação do espírito.

Porém já no tempo de Almeida “arrepender-se” podia significar tanto um remorso ligeiro quanto a contrição que patrocina uma reforma mais profunda. Longe do sentido pragmático do grego original, segundo o qual metanoia representava a conversão em si, o arrependimento passava a ser associado a uma sensação de remorso, ao espírito de contrição necessário (e que antecede) à conversão genuína.

Desse conceito de arrependimento como sentimento tentam nos salvar muitas traduções e paráfrases contemporâneas da Bíblia, que buscam ao seu modo recuperar o sentido original do grego metanoia. Como é muito difícil fazer-nos mudar de idéia com relação a um conceito tão arraigado quanto arrependimento, essas traduções recorrem a todo um leque de alternativas para verter o usual “arrependei-vos”: mudem de atitude, mudem de idéia, mudem de mentalidade, reavaliem a sua postura, deixem o pecado e voltem-se para Deus, corrijam-se, abracem a nova ordem das coisas – porque, naturalmente, é chegado o reino de Deus.

Novamente, essas novas traduções representam um avanço formidável em relação ao mais fraco (e apenas transversalmente acurado) “arrependam-se”. O problema (e a tremenda vantagem) com relação à tradução “mudem de idéia” e suas variações está em que ela também permanece aberta a todo o tipo de interpretação. Mudem de idéia, está certo, mas com relação a quê?

Esse caráter aberto não está ausente, na verdade, do próprio grego metanoia. Nossa sorte é que, dos autores do Novo Testamento, nenhum está mais preparado e disposto a nos explicar o que representa na vida prática a metanoia no sentido usado por Jesus – qual é o sentido e quais são as implicações dessa mudança de mentalidade – do que o autor do livro de Atos.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Qual será o futuro de nossos netos?

Por Leonardo Boff

Olhando meus netos brincando no jardim, saltitando como cabritos, rolando no chão e subindo e descendo árvores surgem-me dois sentimentos. Um de inveja: já não posso fazer nada disso com as quatro próteses que tenho nos membros inferiores. E outra de preocupação: que mundo irão enfrentar dentro de alguns anos?
Os prognósticos dos especialistas mais sérios são ameaçadores. Há uma data fatídica ou mágica sempre aventada por eles: o ano 2025. Quase todos afirmam: se nada fizermos ou não fizermos o suficiente já agora, a catástrofe ecologicohumanitária será inevitável.

A recuperação lenta que se nota em muitos países da atual crise economicofinanceira, não significa ainda uma saída dela. Apenas que a queda livre se encerrou. Volta o desenvolvimento/crescimento mas com outra crise: a do desemprego. Milhões estão sendo condenados a serem desempregados estruturais. Quer dizer, não irão mais ingressar no mercado de trabalho, sequer ficarão como exército de reserva do processo produtivo. Serão simplesmente dispensáveis. Que significa ficar desempregado permanentemente senão uma lenta morte e uma desintegração profunda do sentido da vida? Acresce ainda que estão prognosticados até àquela data fatídica cerca de 150 a 200 milhões de refugiados climáticos.

O relatório “State of the Future 2009”(O Globo de 14.07/09) feito por 2.700 cientistas diz, enfaticamente, que devido principalmente ao aquecimento global, por volta de 2025, cerca de três bilhões de pessoas não terão acesso à água potável. Que significa dizer isso? Simplesmente que esses bilhões, se não forem socorridos, poderão morrer por sede, desidratação e outras doenças. O relatório diz mais: metade da população mundial estará envolvida em convulsões sociais em razão da crise sócio-ecológica global.

Paul Krugman, prêmio Nobel de economia de 2008, sempre ponderado e crítico quanto à insuficiência das medidas para enfrentar a crise socioambiental, escreveu recentemente: “Se o consenso dos especialistas econômicos é péssimo, o consenso dos especialistas das mudanças climáticas é terrível” (JB 14/07/09). E comenta: “Se agirmos da mesma forma como agimos, não o pior cenário mas o mais provável, será a elevação de temperaturas que vão destruir a vida como a conhecemos.”

Se provavelmente assim será, minha preocupação pelos netos se transforma em angústia: que mundo herdarão de nós? Que decisões serão obrigados a tomar que poderão significar para eles vida ou morte?

Comportamo-nos como se a Terra fosse só nossa e de nossa geração. Esquecemos que ela pertence principalmente aos que ainda virão, nossos filhos e netos. Eles têm direito de poder entrar neste mundo, minimamente habitável e com as condições necessárias para uma vida decente que não só lhes permita sobreviver mas florescer e irradiar.

Os cenários referidos acima nos obrigam a soluções que mudam o quadro global de nossa vida na Terra. Não dá para continuar ganhando dinheiro com a venda do direito de poluir (créditos de carbono) e com a economia verde. Se o gênio do capitalismo é saber adaptar-se a cada circunstância, desde que se preservem as leis do mercado e as chances de ganho, agora devemos reconhecer que esta estratégia não é mais possível. Ela precipitaria a catástrofe previsível.

Para termos futuro devemos partir de outras premissas: ao invés da exploração, a sinergia homem-natureza, pois Terra e humanidade formam um único todo; no lugar da concorrência, a cooperação, base da construção da sociedade com rosto humano.

Dão-me alguma esperança os teóricos da complexidade, da incerteza e do caos (Prigogine, Heisenberg, Morin) que dizem que em toda a realidade funciona a seguinte dinâmica: a desordem leva à auto-organização e à uma nova ordem e assim à continuidade da vida num nível mais alto.” Porque amamos as estrelas não temos medos da escuridão.


Leonardo Boff é co-autor com Mark Hathaway de The Tao of Liberation. En Exploration of Ecology of Transformation, N.York a sair em breve.

BABEL HIGH TECH

Por Riva Moutinho

Uma das histórias mais conhecidas do nosso mundo entre tantas é, sem dúvida, a construção de uma torre relatada em Gênesis 11. Apesar dos poucos nove versículos que relatam sua história, as lições dali retiradas são extremamente importante para todos nós independente da época em que começamos a caminhar por este planeta.

O desejo latente na construção daquela torre era, sem dúvida, marcar a geração com algo que ficasse registrado para todas as demais gerações. O orgulho e a presunção humanos materializavam-se ali, no objetivo de perpetuar nomes, famílias, cidades e povos pelo simples poder de suas próprias mãos. É a vaidade do homem em dizer: “Sou digno de toda glória e honra.” Em nada aquilo beneficiaria a humanidade para o bem.


O que vemos a partir do verso 5 é o relato de que Deus viu e não gostou do sentimento que edificava aquela construção e, então Ele provocou uma confusão quanto ao entendimento de um para com o outro, diversificando idiomas entre eles e interrompendo de uma vez por todas tal construção. No entanto, Deus afirmou: “Isto é apenas o começo; agora não haverá restrição para tudo que intentam fazer.


E, de fato, tal afirmação se ratifica através de vários fatos descritos ainda na Bíblia como o relato em Daniel 4 em que o próprio rei Nabucodonosor conta resumidamente sua história. Um rei que no auge ufanou-se dizendo: “Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei para a casa real, com o meu grandioso poder e para glória da minha majestade?” (Daniel 4:30) No entanto, seu estado mental alterou-se e passou a comer como os animais até reconhecer, de fato, quem ele era... e quem é Deus.


Apesar de tempos distintos e de séculos e séculos de separação, o que vemos hoje não é diferente dos relatos que acessamos através dos escritos das Sagradas Escrituras. Os homens continuam na busca frenética e débil de satisfazerem suas vaidades sejam como políticos, empresários, cientistas, religiosos, filósofos, artistas ou os ainda anônimos.


Nas últimas décadas assistimos a um avanço nunca visto da ciência e da tecnologia. O mundo está mais interligado do que nunca e é possível visitar vários continentes sem sequer levantar da cadeira.


As últimas gerações desvendaram o segredo do DNA humano e daí em diante caminhos inumeráveis surgiram, dando ao homem a míope visão de que pode se tornar melhor que Deus desde que consiga dominar a arte da criação, de prorrogar o envelhecimento e de, até mesmo, vencer a morte.


A ciência já consegue clonar seres-humanos e selecionar algumas características na elaboração de um feto. Recentemente, uma reportagem assegura que já é possível criar um bebê livre de, pelo menos, 150 doenças hereditárias através da substituição das mitocôndrias, o que, biologicamente é como se o novo bebê tivesse duas mães.


Avanços científicos e tecnológicos, sem sombra alguma de dúvida, têm gerado uma vida melhor em relação a outras épocas e tudo o que produz um retorno ao próprio ser-humano para o bem deve ser contínuo e expansível a todos sem qualquer tipo de distinção.


Mas infelizmente, o que há é que muitos se organizarão a fim de edificarem uma nova Torre de Babel ou várias delas, desta vez não constituída por pedras, argamassas ou até mesmo guerras; mas desenvolvidas em meio aos avanços da tecnologia e da ciência, maquiadas com a mensagem de que será para o bem-estar da humanidade, quando na verdade massagearão o ego humano no objetivo obsessivo da vaidade de receberem “toda glória e honra.


E assim o mundo avança sedento por desenvolver um super-ser-humano ou vários deles que possam ser imunes e perfeitos superando assim, os “erros” de Deus no processo da criação.


Riva Moutinho
06/09/2009
BH - MG

O DIABO DE DENTRO…

Por Caio Fábio

Há pouco escrevi um texto sobre o diabo para fora, no enfrentamento dele na existência e nas muitas dissimulações dessa criatura malévola e sedutora.
Minha mulher, no entanto, chegou aqui e leu o texto, e disse: “Agora tem de mostrar o diabo de dentro”.
Nada disse, mas vi que ela tinha mais do que razão.
Assim decidi escrever o que de mais simples vejo em Jesus sobre o discernimento do diabo de dentro... 
Sim, pois um é o diabo que se combate fora; outro é o que se combate dentro!
Sim, dentro; dentro de nós...
Ora, o diabo de dentro é construído pela nossa adesão à natureza do diabo, que é ódio, mentira, sedução, dissimulação, manipulação, ganância, inveja, soberba, e culto a si mesmo.
Quem odeia, se ira e irado permanece, amargura-se e amargurado fica, antipatiza e se tem por certo na manutenção da antipatia gratuita, e quem ama apenas por conveniência e interesse — esse vai se tornar um ser-diabo.

Quem mente, e se alegra em mudar o caminho dos outros pelo engano, que maquina como afirmação de inteligência e poder, que se deleita com o poder do engano e da dissimulação — esse vai se tornar um ser-diabo.

Quem seduz e ludibria pelo prazer de ver o engano e a desilusão no próximo, que usa a boa fé sem piedade, que come e joga fora, que se serve do próximo como um peão tolo no Xadrez do Engano — esse vai se tornar um ser-diabo.

Quem cobiça com a avidez da ganância e da insaciabilidade, quem não se contenta nunca, quem usa de todos os meios para atingir seus fins, quem se alimenta da própria volúpia como nutriente existencial, e que não vê em qualquer limite uma benção, mas apenas uma maldição — esse vai se tornar um ser diabo.

Quem inveja... e existe para buscar tomar, possuir ou substituir um outro, quem faz da vida uma competição de superação do próximo, quem não se alegra com seu próprio ser, mas só se vê nas coisas que possua — esse vai se tornar um ser-diabo.

Quem não vê nada e ninguém acima de si mesmo, que não teme a Deus, não reverencia a vida e não aceita a existência e a experiência de outros — esse vai se tornar um ser-diabo.

Quem não se arrepende..., quem não pede perdão e não perdoa..., quem nunca admite o erro puro e simples e sem explicação..., quem jamais considera silenciar mesmo tendo razão..., e, sobretudo, quem foge de amar... — esse vai se tornar um ser-diabo.

Sim, especialmente se confessar-se cristão!...

Resista o diabo em você mesmo e ele fugirá de seu ser!

Mais importante, todavia, é saber que somente se resiste ao diabo quando decidimos em nós mesmos nos submetermos à potente mão de Deus, pois, Ele, a Seu tempo, nos exaltará em toda forma de livramento.

Ora, isto não é um advento, nem um evento, nem um dia..., mas um modo de ser e de vigiar, e, sobretudo, deve se tornar o sondar constante do nosso coração.

Somente assim cresceremos na consciência e no fato de que o Príncipe desse mundo nada tem em nós.


Em Jesus, que me ensina a vencer o diabo que quer ser eu em mim,


Caio
4 de setembro de 2009
Lago Norte
Brasília
DF
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quarta-feira, 26 de agosto de 2009

ENCONTRO DO CAMINHO DA GRAÇA NO JAPÃO


...uma proximidade sem intimidade!

por Caio Fábio


Ler: Marcos 6: 1 a 7.

É tão fácil acostumar-se a tudo, até ao que seja sublime e divino...
É uma desgraça, mas a gente se acostuma até com Deus...
É o tempo, é a familiaridade, é a certeza que não é fé...


Mas o fato é que por todas essas razões e muitas outras, a gente se acostuma a tudo, até ao Espírito Santo...

Sim, podemos nos habituar a Deus...

Por vezes é por causa do “Deus” que não é Deus...; o da religião...

Ou seja: por vezes nos acostumamos apenas porque “Deus é performance” em tais lugares de ensino...

Outras vezes é Deus mesmo Aquele que se conhece..., porém, à semelhança dos de Nazaré, que ficaram tão próximos a Jesus que o perderam de vista, podemos também dizer que conhecemos a turma toda de Jesus: sua mãe, seu pai, seus irmãos e irmãs... — e, justamente por causa disso, não discernirmos o privilégio de Sua presença conosco...

Nesse caso, como em qualquer caso, se diz:
“E admirou-se da incredulidade deles; e entre eles não pôde fazer nenhum sinal, senão apenas curar alguns doentes e expulsar algumas enfermidades”...

Ora, esse mal vai de tudo a tudo...

Afinal, se açambarca até Deus... por que não atingiria cada outra área de nossa vida?

Acostuma-se a se ter uma mulher maravilhosa e fiel, que nos ama, que nos atende em boa vontade e feliz, com admiração e carinho, e com tudo o mais de bom...

Acostuma-se a ter um marido amigo e solidário, fiel e companheiro...
Acostuma-se a ter filhos bons, e tem-se como certo que assim seja...
Acostuma-se com comida, bebida e até com sexo...
Sim, tudo pode cair no nada da atitude blasé, e que dá como certo que tudo de bom seja um dever da vida para com a pessoa...
Até que se fica sem...
Até que a necessidade imponha a realidade...
Até que já não seja...

Então os muxoxos do habito dão lugar aos gemidos da ausência...
Então se vê que o tempo nos cegara...
Então se enxerga que a proximidade pode afastar os acostumados ao que era bom... do que era bom...; mas que não era tratado como tal...

O problema, todavia, é que na maioria das vezes perde-se tudo e não se enxerga ou discerne nada em nós mesmos...

Jesus insiste...
A vida insiste...
O amor insiste...

Mas muitas vezes nem a insistência de Jesus, da vida e do amor nos comovem...
Sim, não é raro que Nazaré não perceba o Nazareno...

Nazaré diz: “Ah! É Ele!? Não conhecemos a turma toda Dele?”...

Assim é que se cria a proximidade sem intimidade, o conhecimento sem discernimento, a familiaridade sem solidariedade, e se troca o sublime pelo nada...

O que fazer?...

Creio que só haja uma salvação...

Tem-se que admitir todos os dias que somos tão ruins que nos acostumamos até com Deus, quanto mais com tudo o mais...

Assim, talvez, quem sabe, nos lembremos que até Deus quer amor, quanto mais todos os demais, que são tão importantes para nós, mas que, pelo habito, caíram na rotina das nossas percepções embrutecidas...

Esta é a Síndrome de Nazaré!...
Leia: A SÍNDROME DE NAZARÉ

Este é o mal de todo homem, ou de quase todos...

Que sejamos salvos de tal dormência onde quer que ela se expresse em nossas vidas!

Amém!


Nele, que pode tudo, mas que não pôde quando não se quis,


Caio

sábado, 22 de agosto de 2009

A “igreja” aceita tudo, menos morrer e servir...

por Caio Fábio


O ideal do Evangelho se faz acompanhar de vida, mensagem e finalidades segundo o Evangelho, e nunca segundo a aflição da “igreja” de não perder espaço e poder...

Na religião o que importa são os fins...
Os meios são relativos...
E qual é o fim?
Levar Jesus às pessoas?
Certamente não, mas sim levar as pessoas para a “igreja”...

Se dissessem à “igreja” que o mundo inteiro creu em Jesus, mas que ninguém quer mais saber de “igreja”, ainda assim a “igreja” não ficaria feliz, posto sua preocupação de fato não seja com Jesus, com o Evangelho e com o povo, mas apenas com ela mesma...

O fim/finalidade da "igreja" é manter-se existente, não viva...

Por isto a “igreja” aceita tudo, menos morrer e servir...

Na realidade tudo tem apenas a ver com estratégia e espaço, ainda que haja pessoas bem intencionadas no processo...

Para que Jesus tenha algo a dizer à “igreja”, ela antes precisa levantar-se e dizer: “Mestre! Decido dar metade dos meus bens aos pobres; e se nalguma coisa defraudei alguém, restituo quatro vezes mais!”...

Então Jesus dirá à “igreja”:
“Hoje entrou salvação nesta casa!”

Antes disso Jesus nada tem a dizer àquilo que se auto-intitula Igreja sendo apenas “igreja”...

Se a “igreja” quer salvação precisa crer no Evangelho...

Do contrário, já se perdeu com o mundo...

Caio

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Carta: SILAS, CERULLO E A “PROFECIA SONIESTINA” DA ESPOSA DO KAKÁ…

Por Caio Fábio













----- Original Message -----
From: SILAS, CERULLO E A “PROFECIA SONIESTINA” DA ESPOSA DO KAKÁ…
To: Caio Fábio
Sent: Sunday, August 09, 2009 12:26 PM
Subject: Morris Cerullo não prega o Evangelho

Morris Cerullo não prega o Evangelho

Nesses 25 anos de vida em Cristo já tive a oportunidade de tomar café à mesa de alguns ícones da Igreja Evangélica atual. Já estive com Jabes de Alencar, Silas Malafaia, Jimmy Swaggart, T.L. Osborn e a cúpula da igreja quadrangular, mas nunca estive com Morris Cerullo. Mas, como tudo aquilo que vem de nossos irmãos norte-americanos é recebido sem muito discernimento pela igreja evangélica tupiniquim, o nome de Morris Cerullo sempre foi muito “venerado” no meio pentecostal.

Felizmente tenho atravessado um processo de desconstrução mental, psicológica, emocional e espiritual nesses últimos anos quanto à igreja evangélica e, consequentemente, já tinha me desiludido com Morris Cerullo, depois de ler suas declarações do poder da fé na famigerada teologia da prosperidade, sua Bíblia da prosperidade e batalha espiritual (patrocinada aqui no Brasil por Silas Malafaia) e seu famoso dom do “riso”, exaustivamente mostrado no You Tube.

Todavia o “profeta” (segundo Silas Malafaia) estava para se apresentar, ao vivo e à cores, no programa “Vitória em Cristo” (também de Silas Malafaia). Não poderia deixar de ouvir a palavra desse “grande profeta do Senhor”.

Durante 40 minutos eu e minhas filhas ficamos sentados na sala em frente à televisão, ouvindo o tal profeta (entrevistado por Silas Malafaia e interpretado pelo irmão do pastor Jabes de Alencar), falando sobre crise financeira mundial e sobre a prosperidade determinante na vida do cristão.
Ao final da entrevista ele lançou um “desafio profético”: como estamos no ano de 2009, o Senhor “revelou” pra ele que se cada telespectador enviar $ 900,00 para o programa de Silas Malafaia o Senhor não permitirá que aquele crente passasse pela crise financeira mundial. E lógico, que tudo muito acompanhado de textos do Antigo Testamento do livro de Deuteronômio, de Samuel, dos Reis e do Apocalipse.

Detalhe importante: em nenhum momento esse homem falou de Jesus e da graça do Evangelho!
Ao final minha filha comentou: “Teria que trabalhar 3 meses para poder ajuntar esse dinheiro e assim enviar pro dito cujo programa e me “livrar da crise financeira mundial”. Minha filha é jovem, e é esse tipo de “evangelho” que essa geração está ouvindo!. Expliquei à ela que tudo aquilo era um grande engano e se, aplicarmos as palavras de Jesus que disse “que a boca de um homem fala do que o coração está cheio”, ela deveria ignorar as profetadas do engano do Dr. Morris Cerullo.

Ah! Lembrei-me também de uma ocasião, que voltava de um trabalho numa cidade vizinha, o sol causticante das 13:00h, e uma jovem com um bebê no colo acenando freneticamente na beira da estrada. Meu bom senso ofuscado pelo sentimento de dó dela e da criança me fez parar para socorrê-la. Já dentro do carro fui surpreendido quando ela me pediu R$ 20,00 para poder comprar alguma coisa para ela comer e leite pro filhinho e que, em troca ela faria qualquer coisa que eu quisesse. Dei-lhe o dinheiro, e disse que não precisava fazer nada e a deixei em frente de um posto de saúde no centro da cidade.

Não sei por que a imagem daquele episódio da jovem mãe e seu filhinho, veio-me a lembrança quando eu estava assistindo Silas Malafaia e o “Dr.” Morris Cerullo pedindo R$ 900,00 de oferta de fé para livrar os crentes da crise mundial?

Reinaldo de Almeida
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Resposta:

Meu irmão: Graça e Paz!

Antes de tudo quero responder a questão dos necessitados em relação ao que os “profetas da ganância” dizem; e faço isto apenas pedindo para que você leia o seguinte link no site: OS ESPÍRITAS “SAMARITANOS” E OS PASTORES “SACERDOTES” E “LEVITAS”…

Somente hoje a sua já me é a 10ª carta mais ou menos de gente reportando a mesma coisa... Alguns ainda se escandalizam com o Silas, o Jabes, o Cerullo, e com o diabo...
Fico pasmo!...
É como ver espinhos sendo plantados e ficar surpreso quando nascem espinhos!... e não uvas!
Só pra você ter uma idéia, o Cerullo já foi crente e já pregou com muita paixão e unção!...
Pasme! Mas é fato; o que mostra como o coração é enganoso sempre, até pregando supostamente o “evangelho”...
No ano que eu mudei de volta para Manaus com minha família, ainda adolescente, em 1970, o Cerullo esteve na A.D. de Manaus, no tempo que o Pastor Alcebíades Vasconcelos ainda era o pastor [bons tempos!].

Sim, o Cerullo esteve lá creio que duas vezes, se não estou enganado... Não fui a nenhuma... Não era convertido e não me interessava por “evangelistas”... Mas meu pai foi todas as noites e voltou encantado...

Cerca de 10 anos depois eu o conheci nos Estados Unidos e o vi pregar... Voltei já triste e chocado... Já não era...

A seguir, ainda nos anos 80, meu amigo Lacio Pontes e sua esposa Bárbara, haviam trabalhado num fim de semana numa “Cruzada” do Cerullo e haviam saído de lá aos vômitos, quando viram os “paralíticos” sendo preparados 1 hora antes do “show”..., a fim de que na “hora das curas” eles ficassem “curados”...

Havia até ponto de luz no lugar das “cadeiras” previamente marcadas para terem os seus andantes e sadios paralíticos se levantando na hora de começar a sugestão e a histeria...
Os “bons” foram curados...

Os doentes caíram das arquibancadas tentando...

Meus amigos saíram de lá aos vômitos...

Depois o Custódio Rangel da Associação dos Homens de Negócio do Evangelho Pleno, trouxe o bicho pra cá outra vez... Cerullo e seus filhotes de maldade..., como o tal do Benny Himn.

No Brasil os discípulos da loucura já eram muitos, mas aquele maluco da Bahia, o que recebe ligação telefônica do anjo Gabriel, esse Atila Brandão, tomou o papel Tupiniquim do Cerullo...

Hoje o Cerullo está “morto” na América... Então, virou “levantador de fundos sob o mandamento profético” nos lugares do mundo nos quais a ignorância e a desinformação ainda pagam muito bem.

Atualmente existem pessoas vendendo o “dom de levantamento de fundos de dinheiro de crentes”...

Sim, o cara chega e combina com o pastor: “Você me convida um fim de semana, me dá um alvo financeiro, e eu levanto o dinheiro, mas 35% ficam para mim. Certo?”

Ora, a maioria dos pastores diz “sim”.

Hoje cedo alguém me escreveu:
Gostaria de saber a sua opinião acerca dum testemunho que ouvi agora pouca da esposa do jogador Kaká. Segundo ela, “a crise afetou todo o mundo e, por isso, ninguém tem dinheiro ultimamente, no entanto Deus concentrou o dinheiro do mundo no Real Madrid para que o clube pudesse ter à condição financeira de contratar o kaká”. Fiquei um pouco chocado com a percepção dela, principalmente pelo fato de eu ter visto uma reportagem em uma determinada emissora, que mostrava pessoas em Moçambique comendo ratos porque não tinham comida. Te pergunto: Será que Deus concentrou boa parte do dinheiro para abençoar uma pessoa em detrimento de milhares e milhares que estão comendo ratos para sobreviver? Não conheço o KaKá e nem a sua esposa e também não quero julgar o casal, pois acredito eu, que eles devem ajudar muitas pessoas, mas mesmo assim eu não conseguir entender o testemunho dela pela razão que coloquei acima.

Pois, bem, é assim que as mentes estão...

No caso do Kaká, coitado, ele e a esposa são escravos espirituais do Estevam e da Sonia; e mulher do Kaká já foi ordenada lá...; e o Kaká agora é presbítero do Estevam, e até teve que pregar um “sermão” particular para o Estevam a fim de ser “aprovado”... Ora, creia, quem disse isso a eles, ao Kaká e a esposa, foi a Sonia ou o Estevam, ou ambos; pois, é do dinheiro do Kaká que eles dependem muito hoje... Portanto, a menina, a esposinha ainda criança, está apenas ecoando a “Profecia Soniestina” ou “Estevamtina” do casal...

Meu irmão, se Deus fosse assim, creia, ele seria o Diabo!

O Kaká ama Jesus e sua esposa também. Mas o Deus que ensinam a eles, nas maldades que faz, na “Sua” falta de amor pelo que Ele mesmo criou, e pela “Sua” diminuição até ao nível da mesquinharia do “Cristianismo” — tornou-se o diabo, do ponto de vista conceitual, e não Deus.
Outro escreveu:

Amado pastor Caio,

Escrevo esta mensagem primeiro para parabenizá-lo pelo trabalho neste site e no seu ministério.

E também pra comentar algo que acontece no meio "evangélico".É que quando pensamos que já vimos de tudo, que não pode ficar pior, aparece o Silas Malafaia, no seu programa do ultimo sábado, apresentando uma entrevista com Morris Cerulo, no qual pedem 900 reais.E depois que a pessoa mandar "voluntariamente" os 900 reais, ela irá prosperar.(O Silas antes condenava a teologia da prosperidade...mas agora).

Ah, e tem mais, o Silas manda a gente acreditar no Morris Cerulo, pois ele é um Profeta de Deus.Confesso, que até gostava de assistir ao programa do pastor Silas Malafaia,eu sempre examinava a pregação e tirava o que era bom e de acordo com a Bíblia,mas de uns tempos pra cá, esta difícil de agüentar o programa dele.E depois dessa entrevista,acabou pra mim....

Veja o vídeo da entrevista:
http://www.youtube.com/watch?v=QXyTDsbjsnc

Obrigado, e Deus continue te abençoando grandemente.

Ora, a este amado irmão digo o mesmo.

E mais: digo que o Silas nunca creu em nada... Ele crê no que seja conveniente... Quem viver verá... O compromisso dele é com ele e com o que possa lhe dar alguma coisa... Foi comido pela ganância enquanto anda enganando e sendo enganado...
Eu não sei como ainda há pessoas que têm dois neurônios pelo menos, mas que, mesmo assim, ainda esperam colher uvas de espinheiros...

Ontem eu vi aquele novo na “praça”, o tal do Waldomiro, iniciando seu caminho de desgraça..., pedindo dinheiro o dia todo...; e ainda se diz grosso e mal e educado a fim de ter seu jeito “tosco” como pretexto para dizer o que queira sob o disfarce da semi-ignorância, o que não é verdade, posto que ele seja “cobra criada da Universal”, e tenha o Didine, ex-macedeano e universal, como seu “promoter ministerial”...

Tudo isso terá o justo juízo de Deus!...

Eles estão semeando espinho e pensam que ceifarão uvas...

Não! Quem planta espinhos não ceifa outra coisa senão espinhos... É que a ceifa ainda não chegou, mas se aproxima galopando...

Quem se entrega para ser espiritualmente cuidado por eles, fica assim como conta este vídeo do Youtube que um mano muito amado me mandou hoje cedo:
http://www.youtube.com/watch?v=stsNNmp7Al0&feature=related

Infelizmente é isso!...

Nele, que diz: “Sai dele povo meu!”,


Caio
10 de agosto de 2009
Lago Norte
Brasília
DF

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

A TEOLOGIA É INIMIGA DA FÉ?

por Ivo Fernandes


Algumas pessoas argumentam como eu sendo professor de teologia consigo conviver com as duras críticas que o Caio Fábio faz a mesma, sendo eu mesmo participante do movimento que tem ele como mentor. E minha resposta quase sempre choca as pessoas, pois afirmo que concordo com o Caio, pois sei que ele dirige toda a sua crítica à teologia que se arroga o direito de senhora do saber, dona da Verdade. Porém, existe aquilo que podemos chamar de “boa teologia”.

A teologia pelo significado do termo é o estudo sobre Deus, porém ao termo “Deus” pode ser atribuído os mais variados sentidos. Desta forma não podemos falar de uma teologia, mas de teologias. E mais, por ser “Deus” em seus mais diferentes aspectos uma realidade da qual nenhum homem se esquiva podemos dizer que todo homem é um teólogo.

A diferença entre as teologias será mais de posição do que de apresentação, afinal todas, ou pelo menos a grande maioria proclama para si o direito de ser a única correta ou a melhor. Sendo assim para mim, a boa teologia será justamente aquela que não chamar para si tal direito. É aquela que está voltada para Deus como Senhor da Misericórdia, que alcança os homens independente de suas teologias.

A boa teologia, para mim, é aquela que tem somente por assunto as ações de Deus na história. Sim, as ações, porque Deus mesmo não pode ser coisificado, tornado idéia, princípio, conjunto de doutrinas. Deus é sempre maior do que nosso pensamento a respeito Dele e ainda sim Livre para Ser o que quiser até mesmo menor do que possamos pensá-lo.

A boa teologia é na verdade uma teantropologia, ou seja, o estudo do homem em relação a Deus.Diante de Deus toda teologia não passa de uma analogia humana. São especulações humanas, é uma resposta ante ao Mistério e não o Mistério em si, é uma palavra e não a Palavra. E toda boa teologia sabe isso de si, não arroga para si o título de autêntica, nem mesmo pensa interpretar legitimamente a Palavra, na verdade é justamente em sua fraqueza que a teologia confirma a Palavra e não em suas certezas.

A Palavra é Deus falando aos seres humanos quer esses ouçam ou não. A teologia é o homem falando. A Palavra é a Boa-Nova, a boa teologia é um anúncio da Boa-Nova e não a Boa-Nova mesmo. A Boa-Nova é a revelação de Deus como Pai e Senhor e do homem como criatura e filho. É da Aliança entre Deus e o homem que trata a Palavra, a boa teologia deve prestar serviço a essa Aliança.

A nossa salvação não repousa sobre um conjunto de teorias ou idéias, nem depende do nosso entendimento da “doutrina”. Não é a informação sobre Cristo que salva, mas a própria pessoa de Cristo. A boa teologia será aquela que consciente disso fará o que lhe impossível não fazer, refletir sobre a Fé. Na verdade, essa é a impossibilidade dos homens. Fomos criados como seres pensantes, ignorar isso é um desastre, porém a boa teologia sabe da limitação do pensamento humano.

O homem encontra-se com a Palavra e este fato inevitavelmente será interpretado. Foi da interpretação do encontro com o Cristo Vivo que nasceu a doutrina cristológica, e quem poderia dizer que ela não nos serve?

Quando Paulo afirma que Jesus “foi entregue por causa das nossas transgressões, e ressuscitou por causa da nossa justificação” (Rm 4:25), de igual modo está dando uma interpretação aos fatos da morte e ressurreição de Cristo. Isto é o que se vê em toda a Escritura, especialmente nas epístolas. Porém é o fato que deve está em evidência não a apresentação doutrinária do fato. Afinal o fato ganha sempre novas dimensões onde assim Deus aprouver, visto que Deus não está preso a nenhum grupo étnico, religião, tempo ou espaço.

A teologia será inimiga da fé todas às vezes que esquecer seu lugar de serva da Palavra que é Livre, mas lhe será útil todas às vezes que em sua limitação conduzir o home até o lugar onde tudo fica cativo a Cristo.


Ivo Fernandes
6 de agosto de 2009
www.ivofernandes.blogspot.com

PROVÉRBIOS DO EVANGELHO!

por Caio Fábio


Neste texto quando eu aludir a Consciente, referir-me-ei ao homem sensato; e quando falar do Tolo..., estarei falando do Insensato ou do Simples em sua ingenuidade patológica ou deliberada em razão de processos de auto-engano.



1. O Consciente ouve toda verdadeira repreensão com temor grato, mas o Tolo sente-se ofendido por cada verdade que poderia ajudá-lo.

2. O Consciente sente todas as dores deste mundo e com elas lava-se em doçuras, mas o Tolo extrai da dor apenas a amargura.

3. O Consciente foge de toda luta que não seja pela vida, mas o Tolo faz de toda discordância uma questão de salvação do mundo.

4. O Consciente sente para si e medita com paciência cada coisa, mas o Tolo levanta-se e age conforme o primeiro impulso.

5. O Consciente ama a todos, mas o Tolo fica amigo de qualquer um que o trate bem naquela hora.

6. O Consciente sabe que amizade é um trabalho de tecimento e tecelagem, mas o Tolo acha que uma boa bebedeira faz amigos.

7. O Consciente vive e deixa viver, embora não negocie seus princípios jamais; mas o Tolo sente a obrigação de se impor sobre todos os diferentes.

8. O Consciente faz o bem e se esquece, mas o Tolo o conta como currículo.

9. O Consciente vive muito e fala pouco acerca de tudo o que já viu, mas para o Tolo toda primeira descoberta o torna o senhor de todos os saberes.

10. O Consciente ama a todos, até aqueles de quem não goste; mas o Tolo ama apenas os que lhe agradam com consentimentos, e desgosta-se de todos os que não sejam como ele.

11. O Consciente vê em cada outro humano um altar, mas o Tolo somente vê altares em lugares onde tijolos e pedras tenham sido erguidos.

12. O Consciente sente a espera da Volta do Filho do homem todos os dias, mas o Tolo crê que poderá prever alguma coisa.

13. O Consciente vê o mal e dele foge; mas o Tolo acha que é domador de demônios.

14. O Consciente sabe que a cada semente corresponde seu próprio fruto, mas o Tolo crê que pode semear uma natureza e colher outra.

15. O Consciente leva em consideração cada acusação que recebe e nelas medita, pois crê que delas possa tirar algum proveito, ainda que em silêncio; mas o Tolo perde a chance de se enxergar até nos exageros dos que o acusem.

16. O Consciente sabe que sua melhor certeza ainda é parcial, mas o Tolo julga ter atingido o discernimento pleno.

17. O Consciente pode esperar o tempo certo, mas o Tolo nunca perde uma oportunidade de ventar os seus impulsos e precipitações.

18. O Consciente sabe que somente o trabalho contínuo e perseverante estabelece a credibilidade, mas o Tolo quer se tornar sábio e respeitado da noite para o dia.

19. O Consciente é tentado e não se julga forte para dialogar com a tentação, mas o Tolo a leva para casa e lhe serve chá, julgando que poderá educá-la.

20. O Consciente sabe que seu pior diabo é a sua cobiça, mas o Tolo atribui ao Diabo externo todas as culpas.

21. O Consciente pode morrer sozinho, mas se saberá acompanhado e dignificado pela presença de anjos, mas o Tolo quer ter um cerimonial até para morrer.

22. O Consciente se satisfaz com a serenidade de seu ser, mas o Tolo somente é feliz se não houver nele nenhuma serenidade.

23. O Consciente não se obriga pelos caprichos de nenhuma maioria, mas o Tolo somente anda conforme os ditames majoritários.

24. O Consciente mede e discerne o peso de sua importância na vida, mas sabe que ela sempre será relativa; porém o Tolo julga que sem ele tudo o que foi feito não permanecerá.

25. O Consciente confia no vento e no seu poder incontrolável de espalhar sementes, mas o Tolo acha que se ele não industrializar o plantio..., sua existência não será produtiva.

26. O Consciente vive pela fé; o Tolo, porém, vive do que ele ache que possa controlar ou manipular.

27. O Consciente nunca não vai com a cara de alguém apenas por não ir, mas o Tolo desgosta de tudo e todos que lhe pareçam concorrência.

28. O Consciente sabe que deve amar a todos, embora tenha o privilégio de gostar de muitos; mas para o Tolo amor só se deve ter por quem se gosta pela concordância.

29. O Consciente sabe que toda vingança aumenta o mal muitas vezes mais, e, por isto, nunca recorre a ela; mas o Tolo prefere acabar o mundo a não vazar seu ódio como vingança.

30. O Consciente somente gosta de ganhar em parceria, mas o Tolo quer sempre ganhar sozinho.

31. O Consciente vive para fazer fácil a vida, mas o Tolo ama as complexidades.

32. O caminho do Consciente fica dia a dia mais simples, mas o caminho do Tolo vai se tornando um labirinto.

33. O Consciente cresce em todas as tribulações, mas o Tolo lamuria e cresce em desconfiança em cada uma delas.

34. O Consciente transforma traumas em lições, mas o Tolo os alimenta como álibis.

35. O Consciente não despreza nada e a tudo pondera, mas o Tolo elege as suas fontes.

36. O Consciente não vê em ninguém um competidor, mas apenas mais um auxilio; o Tolo, porém, vê em cada outro dom uma ameaça à sua vida e pregresso.

37. O Consciente foge da justiça dos homens, e busca conciliação pacifica; mas o Tolo ama os tribunais.

38. O Consciente aposta no trabalho, mas o Tolo aposta no jogo.

39. A Conquista do Consciente permanece, posto que seja de natureza espiritual, e, portanto, não passageira; mas o ganho miraculoso do Tolo desvanece-se antes do proveito.

40. O Consciente ama a simplicidade dos simples e a calma dos idosos, mas o Tolo apenas dá atenção ao que lhe possa auferir ganhos de alguma forma no instante.

41. O Consciente ama o mandamento da Vida, mas o Tolo acha tudo uma obrigação.

42. O Consciente busca renovar-se todos os dias, mas o Tolo busca adaptar-se todos os dias.

43. O Consciente crescerá em consciência...

44. O Tolo viciar-se-á em seus modos, e neles morrerá...; a menos que se converta à verdade que liberta a mente para aprender a sabedoria.



Nele, Jesus, de Quem aprendi que todas as coisas acima são Provérbios da Vida no Evangelho, deixo estes pequenos provérbios a fim de ajudar a simplificar o seu entendimento quanto ao fato de que a vida é conforme a semente,



Caio
2 de agosto de 2009
Lago Norte
Brasília
DF

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