terça-feira, 26 de maio de 2009

NÃO MATE OS QUE VOCÊ AMA!...

por Caio Fábio

A pior coisa que pode acontecer a uma amizade ou relacionamento... — é quando os amigos ou parceiros julgam que se conhecem mutuamente por completo; e, também, quando pensando assim, os anos se passam, e eles, por julgarem conhecer o outro, o congelam em um estado de imutabilidade...; e, desse modo, sem que se saiba o que outro quer..., já se o interpreta; ou quando não sabendo que algo nele mudou..., se o fixa por antecipação; ou quando amando o outro, se assume que nosso amor por ele é apesar dele, pois, não damos mais a ele o poder de nos surpreender..., apenas porque o tenhamos frisado numa bolha de amor fraterno ou relacional que já não o permita mudar aos nossos olhos.

É assim que as amizades vão morrendo e os casamentos vão ficando a mesma coisa...

Sim, pois a história impõe vícios interpretativos!...

A coisa boa de uma amizade é justamente a expectativa de mutabilidade para o bem...
Por isto, verdadeiros amigos sempre se encontram esperando o melhor como surpresa fraterna.

O mesmo se pode dizer do casamento...

Quando os cônjuges perdem a esperança e alegria na possibilidade de que o outro cresça e mude, então, inicia-se o processo de falência do amor...

Digo..., não do amor mesmo, que tudo sofre e segue adiante... — mas falo do amor conjugal, que se alimenta também da alegria pela existência do outro; e, mais que isto: sempre espera que o bem não cesse na vida dele...

Na realidade, se há um ambiente no qual mais do que em qualquer outro não se deve julgar para que não se seja julgado, esse tal ambiente é o da amizade e o do casamento.

Entretanto, é justamente em tais/mesmos/ambientes que menos se leva á serio tal recomendação de Jesus.

Sim, pois é aí, pela suposta segurança e indissolubilidade do vínculo, que mais se julga, se interpreta e se projeta sobre o outro aquilo que não necessariamente nele esteja presente ou sequer em processo de existência...

“Segurança relacional”, seja pelo casamento ou pela amizade, não devem funcionar justamente para a realização do oposto: a ofensa, o julgamento, o sincericidismo, ou a impaciência que diz: “Já sei que tipo de coelho sai dessa mata...”

Todavia, é porque as pessoas se sentem “seguras”, que ofendem, julgam ou pré-definem o outro; e, depois, não sabem por que ambos vão ficando cada vez mais distantes...

Todas as coisas sadias se alimentam de pequenas gentilezas...

Todas as coisas sadias, por mais intimas que sejam, guardam sempre um lugar para a parcimônia e o cuidado da não ofensa...

Todas as coisas sadias em um relacionamento se alimentam de cuidado e carinho...

Todas as coisas sadias em um vínculo..., demandam e dependem do evitar das gritarias e das histerias que ofendem sem capacidade para retirar a ofensa...

O que se precisa crer sempre é que o outro, seja o amigo ou o cônjuge, são seres com quem Deus também fala; por isto, muitas vezes, é melhor que a nossa naturalidade no trato persista na direção do outro, sempre crendo que não é a nossa voz a única que fala, posto que Deus também fale; especialmente quando abrimos mão da gritaria e entregamos a questão ao amor e à verdade de Deus.

O momento relacional mais difícil é aquele no qual um dos implicados ou mesmo ambos, julgam que já se tornaram tão amigos ou íntimos, que o relacionamento já se cimentou de um modo tão concreto que já não mais se quebre...

Aí reside grande engano... Pois, o amor não acaba, mas pode entrar em um processo de tanto sofrimento, que, em razão disso, perca a felicidade no se dar...

Cada um de nós deve pensar nisto; e, mais que isto: deve ver com quem se perdeu a delicadeza de manter a amizade ou a conjugalidade como coisa nova todos dias; dando sempre ao outro a chance de amanhecer melhor para nós, e nós para ele; assim como são as misericórdias de Deus todos os dias, renovando-se a cada manhã.


Nele, que assim manda que seja, até 70x7,


Caio
25 de maio de 2009
Lago Norte
Brasília
DF

domingo, 24 de maio de 2009

“O Bom Samaritano“ = “O Bom Travesti“

por Rubem Alves

E perguntaram a Jesus: “Quem é o meu próximo?“ E ele lhes contou a seguinte parábola:

Voltava para sua casa, de madrugada, caminhando por uma rua escura, um garçom que trabalhara até tarde num restaurante. Ia cansado e triste. A vida de garçom é muito dura, trabalha-se muito e ganha-se pouco. Naquela mesma rua dois assaltantes estavam de tocaia, à espera de uma vítima. Vendo o homem assim tão indefeso saltaram sobre ele com armas na mão e disseram: “Vá passando a carteira“. O garçom não resistiu. Deu-lhes a carteira. Mas o dinheiro era pouco e por isso, por ter tão pouco dinheiro na carteira, os assaltantes o espancaram brutalmente, deixando-o desacordado no chão.

Às primeiras horas da manhã passava por aquela mesma rua um padre no seu carro, a caminho da igreja onde celebraria a missa. Vendo aquele homem caído, ele se compadeceu, parou o caro, foi até ele e o consolou com palavras religiosas: “Meu irmão, é assim mesmo. Esse mundo é um vale de lágrimas. Mas console-se: Jesus Cristo sofreu mais que você.“ Ditas estas palavras ele o benzeu com o sinal da cruz e fez-lhe um gesto sacerdotal de absolvição de pecados: “Ego te absolvo...“ Levantou-se então, voltou para o carro e guiou para a missa, feliz por ter consolado aquele homem com as palavras da religião.

Passados alguns minutos, passava por aquela mesma rua um pastor evangélico, a caminho da sua igreja, onde iria dirigir uma reunião de oração matutina. Vendo o homem caído, que nesse momento se mexia e gemia, parou o seu carro, desceu, foi até ele e lhe perguntou, baixinho: “Você já tem Cristo no seu coração? Isso que lhe aconteceu foi enviado por Deus! Tudo o que acontece é pela vontade de Deus! Você não vai à igreja. Pois, por meio dessa provação, Deus o está chamando ao arrependimento. Sem Cristo no coração sua alma irá para o inferno. Arrependa-se dos seus pecados. Aceite Cristo como seu salvador e seus problemas serão resolvidos!“ O homem gemeu mais uma vez e o pastor interpretou o seu gemido como a aceitação do Cristo no coração. Disse, então, “aleluia!“ e voltou para o carro feliz por Deus lhe ter permitido salvar mais uma alma.

Uma hora depois passava por aquela rua um líder espírita que, vendo o homem caído, aproximou-se dele e lhe disse: “Isso que lhe aconteceu não aconteceu por acidente. Nada acontece por acidente. A vida humana é regida pela lei do karma: as dívidas que se contraem numa encarnação têm de ser pagas na outra. Você está pagando por algo que você fez numa encarnação passada. Pode ser, mesmo, que você tenha feito a alguém aquilo que os ladrões lhe fizeram. Mas agora sua dívida está paga. Seja, portanto, agradecido aos ladrões: eles lhe fizeram um bem. Seu espírito está agora livre dessa dívida e você poderá continuar a evoluir.“ Colocou suas mãos na cabeça do ferido, deu-lhe um passe, levantou-se, voltou para o carro, maravilhado da justiça da lei do karma.

O sol já ia alto quanto por ali passou um travesti, cabelo louro, brincos nas orelhas, pulseiras nos braços, boca pintada de batom. Vendo o homem caído, parou sua motocicleta, foi até ele e sem dizer uma única palavra tomou-o nos seus braços, colocou-o na motocicleta e o levou para o pronto socorro de um hospital, entregando-o aos cuidados médicos. E enquanto os médicos e enfermeiras estavam distraídos, tirou do seu próprio bolso todo o dinheiro que tinha e o colocou no bolso do homem ferido.

Terminada a estória, Jesus se voltou para seus ouvintes. Eles o olhavam com ódio. Jesus os olhou com amor e lhes perguntou: “Quem foi o próximo do homem ferido?“

(Correio Popular, 21 de julho de 2002)

A NATUREZA HUMANA E A GRAÇA DE DEUS

por Riva Moutinho

Gênesis relata a criação de um mundo por Deus e a criação do homem à semelhança Dele logo nos seus primeiros capítulos. Numa época em que existia apenas a Trindade, os anjos dos céus e a legião de anjos caídos comandados por Lúcifer, a essência a qual foi formatada o homem era uma novidade. Assim quando se fala em “semelhança” de maneira alguma significa que o homem seria um semi-Deus ou um candidato a Deus.

Mas o que quero dizer com isso?

Ora, o homem foi criado homem, nasceu dentro da natureza a qual se estabeleceu para ele. Mas não se perca levando seus pensamentos na idéia de que Deus criou algo imperfeito. Deus criou um ser com liberdade de escolha e este é um privilégio e um exemplo de Graça do Criador, pois Ele poderia ter criado um humanóide programado com o programa da “Obediência Perfeita versão 1.0” o qual não daria a Deus nenhum tipo de “dor de cabeça”; ou será que alguém acredita que Deus não teria na época da criação do mundo conhecimento ou tecnologia para desenvolver tal “produto”? Ele é e sempre foi e será soberano.

É por isto que nada retira a responsabilidade de Adão por sua decisão de comer do fruto da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, mas transforma a “Queda do homem” em oportunidade de se ter uma vida com Vida. Mais uma vez, só a Graça do Pai para transformar tamanha catástrofe em tamanha fonte de regeneração. E desta forma o local de descanso do homem é a Nova Jerusalém e não um Éden “tunado”. Daí o fato do Cordeiro já estar imolado desde antes da criação do mundo. (1ª Pedro 1:20)

Nos versos 11, 12 e 13 do 3º capítulo de Gênesis, Deus pergunta ao homem como ele poderia saber que estava nu, e este incrimina a Eva (e ao próprio Deus), e esta por fim incrimina a serpente. Ora, o que se percebe nestes pequenos versículos é justamente o ápice da natureza humana, primeiro por parte de Adão: “Ok Deus, eu errei, no entanto errei porque a mulher que o Senhor me deu, me enganou.” Ou “Errei porque acreditei naquele sócio que ouviu a Sua voz em um sonho.” Ou “Errei porque estava muito angustiado e chamei por ti, mas como o Senhor não apareceu de imediato não resisti.” E por aí vai. E depois por parte de Eva ao lançar a justificativa pelo seu erro na serpente (é a infantilidade humana de não assumir o que faz): “Foi o diabo que me seduziu.” Ou “Estava sensibilizada e o diabo me enganou.” Todavia somos tentados nas nossas próprias cobiças e foi e é, sempre esta a oportunidade que o diabo aproveita.

Gostaria de abrir um link aqui com as tentações passadas por Jesus. Note que as tentações do capítulo 4 de Mateus e do capítulo 3 de Gênesis carregam a mesma essência: a cobiça existente na natureza humana. Vendo o diabo que Jesus tornara-se homem o tentou, no entanto, Jesus resistiu à suas investidas e o expulsou.

Com a consumação da queda humana, gostaria de chamar a atenção para a consumação das conseqüências provenientes dos atos de Adão e Eva e, até da própria serpente, e para o amor do Criador para com suas criações, pois logo no início do capítulo 4 de Gênesis vemos Deus conversando com um dos filhos de Adão e Eva, agora vivendo fora do Éden.

Tais leituras nos demonstram que a vivência das conseqüências dos nossos atos é inevitável tanto se a causa gerou algo bom ou ruim e que, invariavelmente e indiscriminadamente o Pai Criador ama o homem de tal maneira que não abre mão de estar e permanecer ao lado dele.

É a Graça do Pai existente antes da criação mundo, antes da vinda humana de Jesus à terra.

Recomendo que aqueles que não criam na existência da Graça antes de tudo que reflitam sobre tais pensamentos e percebam que se não existisse Graça antes criação do mundo; o tudo não existiria... no mínimo não existiria da maneira como vemos hoje.

Riva Moutinho
BH – 24/05/2009

quinta-feira, 14 de maio de 2009

A ÉTICA DO REINO

por Ivo Fernandes

O Ivo é mentor da Estação do Caminho da Graça em Fortaleza

Quando falamos em ética é natural associarmos esse tema aos valores morais de uma sociedade, mas quando nos referimos à ética do Reino não podemos fazer isso, pois a moral que é a base do conhecimento humano sobre o “certo e errado” nasce da condição alienada do homem de Deus. Assim, as expressões “bem e mal”, “moral e imoral”, “valor e sem valor”, “autêntico e não autêntico” não são termos que se aplicam quando falamos de ética do Reino.

Enquanto a moral divide a vida entre coisas permitidas e proibidas a ética do Reino aponta para o que É. Todo conhecimento moral é um conhecimento humano, que está direcionado para si mesmo, ou seja, a moral nasce do olhar do homem posto sobre si mesmo. Por meio dela os homens criam suas leis e exercem seus juízos.

Jesus que anunciou a ética do Reino está na contramão desta moral. Por isso não encontramos verdadeiro diálogo entre Cristo e os fariseus que tão bem representavam a moral, e isso porque Jesus e os fariseus estavam em níveis completamente diferentes de realidade. As respostas de Jesus não respondiam a pergunta do fariseu por não ser da mesma natureza.

A moral nasce marcada pela culpa e pela vergonha. A consciência humana é marcada por este estado, e, portanto, busca sempre resolver esta tensão. A religião é a que melhor apresenta essa tensão, esse conflito entre o “bem e o mal”, e por meio dela sempre se tentou trazer Deus para nossa esfera de conhecimento, buscando Dele uma resposta de acordo com nossa pergunta, porém Ele não age a partir do conhecimento do bem e do mal.

Jesus nos apresentou a ética do Reino como anulação da moral, pois se o Reino é Reconciliação e a moral a afirmação da alienação, onde houver o Reino não haverá moral, mas apenas Unidade. Na moral não há mudanças de realidade, mesmo cumprida o “bem” da moral ela não altera o estado de alienação humana.

Onde houver juízo que separa, há moral como base do juízo. Onde houver moral está presente o estado da alienação. Onde houver Reino há a vontade de Deus que é a reconciliação. E a vontade de Deus é um saber que não se configura como saber humano, antes é um saber sem saber do “bem e do mal”, mas apenas da reconciliação. E quem sabe este não-saber sabe todas as coisas.

O religioso por saber o “bem e o mal” classifica meritoriamente seus atos, fazendo de seu bem um mal. Os filhos do Reino não sabem do “bem”, mas apenas do que É, por isso, são surpreendidos quando isso os for revelado (Mt 25.31ss.).

Nem mesmo o auto examinar-se dos filhos do Reino é realizado por este saber alienado, mas em Cristo, por meio do qual sabemos a vontade de Deus. Assim sem Cristo em nós não há como se fazer exame de si mesmo.

O saber dos filhos do Reino é o saber do Amor, que é a revelação de Deus, Jesus Cristo. Este saber tem origem em Deus e não em nós, assim este Amor é divino. E entre os homens o divino chama-se Jesus. Amor é sempre Ele mesmo. E ele é a reconciliação de todos em Si mesmo. Desta forma concluímos que onde houver um saber que separa, que divide, que segrega, que julga, que exclui ali não há o Reino.


Ivo Fernandes
14 de maio de 2009

quarta-feira, 13 de maio de 2009

O MELHOR INVESTIMENTO DA VIDA É A VIDA!

por Caio Fábio

O Sentido da Vida, que é o ensino do Evangelho antes mesmo de existirem os Quatro Evangelhos — afinal, o Evangelho é eterno — sempre indicou na direção da Vida como entrega, como dádiva, como sacrifício e como morrer vivificante.

E assim é com tudo o que seja vida...

A Natureza dá testemunho diário de seu investimento de entrega e de morte ao ciclo da vida.

Natureza é isso: vida servindo a vida!

Entretanto, no Evangelho, tal entrega é espontânea e é consciente. Por isto se diz que é para que lancemos o nosso próprio pão, loucamente, sobre as águas, a fim de que alimentemos voluntariamente o rio que nos abençoa com água e peixe.

E mais; ainda se completa afirmando que tal dádiva, depois de muitos dias, sempre em um longe oportuno, volta para nós, e retorna nosso investimento feito às cegas, na mera alegria de dar à vida mais vida.

Jesus disse que o caminho para receber é dar.

Disse que é muito melhor dar do que receber.

Disse que o grande privilégio deve sempre ser ter podido dar.

Disse também que a devolução de nossas dádivas de amor, acontece sempre de um modo exagerado, embora nós nem sempre saibamos como a medida sacudida, recalcada e transbordante virá; com que forma nos visitará; embora saibamos que será sempre na melhor hora.

E em tal ato de dar se deve ter também o mesmo sentimento que houve também em Jesus.

Ora, Jesus nunca disse que deu nada!

Sim, não há uma única propaganda Dele sobre Ele!

Ele apenas diz que é para não andar ansioso de nada, que é para buscar o Reino de Deus, que é o Evangelho vivido; e que tudo o mais nos seguiria como bondade e misericórdia todos os dias de nossas vidas.

E mais:

Ele disse que a vida Dele ninguém tirava Dele. Ele a doaria. Sim, pois doação arrancada não gera o fluxo da vida.

A Sabedoria, todavia, diz: Lança o teu pão sobre as águas, pois, depois de muitos dias, o acharás.

Portanto, trata-se de uma decisão voluntária.

Uma decisão alegre de ofertar ao rio da vida o pão do nosso labor como gratidão, confiança e fé.



Nele, com fé,



Caio
11 de maio de 2009
Lago Norte
Brasília
DF

Vídeo: Música Catavento e Girassol

Leila Pinheiro e Guinga



Filha do gaitista Altino Pinheiro, iniciou-se no estudo de piano aos dez anos, no Instituto de Iniciação Musical. Em 1974, Leila desiste das aulas teóricas de música e passa a estudar piano com um conterrâneo, Guilherme Coutinho, músico de talento e presença importante no cenário musical de Belém.

Em 1980, ela abandona - no segundo ano - o curso de medicina e em outubro, estréia o primeiro espetáculo, Sinal de Partida (realizado no Theatro da Paz, em Belém), onde estreou como cantora profissional. Em 1981, muda-se para o Rio de Janeiro onde gravou o primeiro LP, o independente Leila Pinheiro, produzido por Raimundo Bittencourt. Excursionou com o Zimbo Trio em 1984, realizando uma série de espetáculos pelo exterior, mas o sucesso veio na verdade quando ganhou o prêmio de cantora-revelação no Festival dos Festivais (TV Globo, 1985), onde interpretou a canção Verde, que foi classificada em terceiro lugar consecutivo e é o primeiro sucesso radiofônico.

A convite do então diretor artístico Roberto Menescal, Leila assinou contrato com a gravadora Polygram (atualmente Universal Music). O disco que marca a estréia nessa gravadora é Olho Nu, que lhe garantiu o prêmio de melhor intérprete no Festival Mundial Yamaha. O álbum, muito elogiado pela crítica especializada, obteve vendagem significativa. No ano seguinte, recebe da Associação Brasileira de Produtores de Disco (ABPD) o Troféu Villa-Lobos, como revelação feminina.

Colecionando muitos prêmios, a partir daí prosseguiu com mais dois discos: Alma e principalmente Bênção Bossa Nova. Este último foi lançado em comemoração aos trinta anos de bossa nova no Brasil. Produzido por Roberto Menescal para o mercado japonês, o disco vendeu duzentas mil cópias - marca jamais atingida por um disco deste gênero de música até então. A partir daí Leila passou a ser conhecida como cantora de bossa nova, rótulo este que seria reforçado com o lançamento do disco Isso é Bossa Nova (1994), que marcou a estréia na gravadora EMI e foi o último a ter versão em vinil. Nesta gravadora, também lançou Catavento e Girassol, um tributo aos cantores e compositores Guinga e Aldir Blanc, Na Ponta da Língua (1998), que trouxe canções inéditas de compositores novatos e Reencontro (2000), um tributo aos cantores e compositores Ivan Lins e Gonzaguinha.

No final dos anos 90 fez espetáculos com o parceiro e amigo Ivan Lins nos Estados Unidos e ainda um tributo a Tom Jobim realizado na casa de espetáculos nova-iorquina Carnegie Hall. Também participou de outros projetos especiais, tais como Tributo a Tom Jobim (Som Livre) e Sinfonia do Rio de Janeiro, de Francis Hime. Em 1998 participou do Festival Brazilfest, ao lado de Bebel Gilberto, Patricia Marx, Carol Saboya e do grupo de câmara Quinteto d'Ellas, projeto que foi idealizado na concha acústica de uma casa de espetáculos nova-iorquina, Damrosch Park, Lincon Center de Nova Iorque (EUA).

Em 2001 retornou à antiga gravadora, pela qual lançou o CD Mais coisas do Brasil, o primeiro ao vivo da carreira, também rendeu o primeiro DVD. O repertório trouxe regravações dos antigos sucessos entre outras canções consagradas. Transferiu-se para a independente Biscoito Fino em 2004, onde gravou o CD Nos horizontes do mundo (2005), cujo título provisório era Hoje - que deu título ao álbum lançado por Gal Costa. O sucesso do álbum acabou por gerar o espetáculo homônimo, de onde veio o trabalho mais recente da carreira: Nos horizontes do mundo - ao vivo. Entre os méritos este conta ser o segundo disco ao vivo e DVD da cantora, após Mais coisas do Brasil.

FONTE: Wikipédia
Site Oficial: www2.uol.com.br/leilapinheiro

domingo, 10 de maio de 2009

MONASTÉRIO

por Riva Moutinho

Qual a sua religião? Não importa. Todos os “ismos” religiosos criam e recriam meios humanos para o ser humano estar mais próximo de Deus. Com todas as práticas existentes o homem se encontra mais próximo de Deus? Ou ainda, o homem entende quem é e o que faz Deus?

Estou a léguas de distância de transformar este texto em algum estudo filosófico, mas gostaria de gerar em sua mente reflexões sobre os vários monastérios religiosos criados pelos “ismos” no homem. Se valeram ou não a pena conclua você. Também estou a léguas de distância da vontade de te convencer de alguma coisa.

O monasticismo é a prática dos objetivos comuns dos homens em prol da prática religiosa. (Antes de continuar pare e pense um pouco olhando bem para dentro do seu “ismo”). Budismo, hinduísmo e catolicismo, por exemplos, levam alguns de seus seguidores a viverem uma vida a margem da sociedade, distante do mundo real, cercado por paredes, com os objetivos comuns de estarem mais próximos de Deus. Nivelando seria a busca pelo Nirvana, ou seja, é quando o espírito se liberta do corpo temporariamente. Assim chegaríamos a um estado espiritual inimaginável e especialmente perto do Criador.

Agora me diga, quantos de nós não estamos cercados por muros, no entanto levantamos um Monastério Virtual através da criação de padrões de santidades que nos levariam a estarem mais próximos de Deus? Você pode não estar enclausurado por paredes de pedra, mas pare pra pensar o quanto sua mente pode estar prisioneira deste estreito lugar que você criou ou que criaram em você através dos “ismos” religiosos.

Pior... é muito pior. O Monastério Virtual da Santidade Individual lapida máscaras personalizadas, almas angustiadas, corações enegrecidos e mentes corrompidas. Duvida? Se tiver coragem, olhe para você mesmo e reflita sem medo de se tornar réu de si próprio. Quantas vezes você apontou as falhas na vida dos outros sem sequer analisar que as suas atrapalham sua convivência familiar, profissional ou pessoal? Quantas vezes você condenou outros por atos libidinosos, mas criou alguns piores em sua própria mente? Quantas vezes condenou gente que se vendeu por dinheiro ou fama ou poder, enquanto que você mesmo já tinha se prostituído por muito menos? No entanto, enquanto seus segredos estiverem retidos nos porões do seu Monastério estará tudo bem e você continuará caminhando acreditando inutilmente que está a cada dia mais perto de Deus.

Eu poderia citar o protestantismo como o sistema mais fácil de encontrar estes Monastérios, mas o que falar dos crimes católicos, ou dos fundamentalistas islâmicos, ou de tantas seitas que surgem progressivamente e que, apesar de não fazerem parte dos “ismos” do mundo destroem com a mesma força o espírito humano.

Não tenho uma receita, mas tenho algo que gostaria de falar: Onde quer que você esteja, seja sempre o que você é. Fingir pra Deus é perda de tempo, pois Ele tudo conhece e isso ocorre desde que você era uma substância no ventre de sua mãe. Destrua seu Monastério e construa a simplicidade do Evangelho exemplificado na pessoa de Jesus.

Talvez você ache que isto seja realmente difícil, mas acredite, ser o que a religião te transformou trás muito mais conseqüências angustiantes para sua alma. Duvida? Então reflita sobre você mesmo.

Riva Moutinho
15/03/2007

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Henri Nouwen

Por Jorge Camargo

FONTE: Revista Ultimato

Meu primeiro contato com a obra de Henri Nouwen foi por meio de seu livro “A Volta do Filho Pródigo”. Diante da proposta da obra, que foi a de tecer uma teia entre o famoso texto do evangelho de Lucas e a pintura magistral de Rembrandt inspirada no tema, não foi difícil concluir que se tratava de alguém especial. Não tanto por suas conquistas acadêmicas (holandês de origem, trabalhou nos Estados Unidos como professor em Yale e Harvard), mas por sua profundidade espiritual e por sua visão sensível e honesta da trajetória humana.

Com Nouwen, entre muitas lições, tenho aprendido a conviver com minhas fraquezas e fragilidades, com meus medos e incapacidades, com minha sede imensa de Deus, semelhante àquela descrita por Agostinho na oração inicial que abre a sua autobiografia (aliás, a primeira autobiografia de que se tem notícia na história da literatura mundial) “Confissões”: “O nosso coração não encontra descanso até que descanse em ti”.

O descanso divino para Nouwen não veio por meio de suas conquistas profissionais. Ele terminou seus dias trabalhando em um lar para pessoas com deficiências físicas e mentais extremas.

Vivendo nessa uma comunidade pequena e frágil, aprendeu a encontrar sentido e propósito para a sua existência.

Seus muitos livros atestam que ele encontrou o caminho, rumo ao que procurava. E revelam sensibilidade, honestidade, profundidade e espiritualidade, valores que nos são tão caros e ao mesmo tempo se mostram cada dia mais raros.

Contudo parece ser esse mesmo o caminho: para baixo. “[...] Embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até a morte, e morte de cruz! [...] Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus” (Carta de São Paulo aos Filipenses).

Na sociedade da conquista e da escalada social, na rota para cima, o discurso de Nouwen parece se perder no vazio. A força de sua autenticidade, no entanto, faz com que sua mensagem se torne cada dia mais necessária e relevante.

Impossível não lembrar o termo cunhado por Eugene Peterson, que define o caminho da sanidade nos círculos religiosos cristãos ultimamente tão adoentados: “espiritualidade subversiva”.

Só algo que seja concebido nas catacumbas romanas de nossa sociedade extremamente consumista e desesperada, e que sorrateiramente brota com indescritível força interior, paradoxalmente descrita e demonstrada por meio da fraqueza, será capaz de, conforme clama Caetano Veloso em sua canção “Podres poderes”, “nos salvar destas trevas e nada mais”.


• Jorge Camargo, mestre em ciências da religião, é intérprete, compositor, músico, poeta e tradutor. www.jorgecamargo.com.br

quinta-feira, 7 de maio de 2009

O DIABO ADORA FALAR EM DEUS!

Por Caio Fábio


“Deus” como tema é o diabo da História!

Sim! Porque em nome do diabo nunca se guerreou, nem se tomou reinos, ou tribos ou qualquer coisa. Porém, seja pela via da ação pagã mais primitiva, ou mediante a ação cristã mais que pagã, a História testemunha que todas as calamidades não naturais, tiveram no tema “Deus” suas justificativas ou seus álibis de morte, domínio, homicídio, inquisição, tortura, chacina, espoliação de bens, terras e recursos; assim como a destruição das culturas encontradas, as quais foram e são substituídas pela cultura do “Deus tema”, a qual mata mais que qualquer outra força histórica.

Desse modo, pelas evidencias da História, não há como não dizer [concordando com Baudelaire] que “se há um ‘deus’ é o diabo”.

Esse “Deus” dos temas da morte nada tem a ver com Jesus. Pode ser “cristão”, pode ser o pai do “Cristianismo”, pode ser o Deus dos “iluminados ocidentais” que construíram o presente mundo em chamas — todavia, mesmo assim, ou, justamente por tais razões, “ele” é o diabo.

Fica impossível pensar que o ladrão vem para matar, roubar e destruir [em contrapartida Jesus veio para dar vida, e vida em abundancia] — e não pensar que esse “Deus” das guerras, das verdades que matam, do reino que esmaga e destrói, das conquistas que roubam tesouros, que destroem vidas, acervos e culturas..., e não ver que tais ações, em nome de “tal Deus”, foram e são obra do diabo.

O diabo é o grande pai das ações feitas “em nome de Deus” e que só acontecem para matar, roubar, destruir, julgar, culpar, amargurar, enviuvar, criar órfãos, dizimar povos, aniquilar pessoinhas ingênuas; e gerar o “Cristianismo”, que é uma potestade criada nos porões da Roma Imperial, e que se mantém cada vez mais viva como poder de ódio e discriminação, apesar da chamada Era Pós Cristã.

Assim, quem quer que queira servir ao diabo faça de “Deus” o tema das batalhas!

Digo isto com toda responsabilidade [e aqui no site já disse coisas bem mais fortes sobre o assunto]; e o digo sem medo de equivoco; pois, tanto a Palavra me diz que estou certo, como também a História dá horrível testemunho acerca dessa minha certeza.

Deus sem Jesus é o diabo dos povos!

E “Jesus” sem Evangelho é o demônio mais disfarçado que o diabo já viu ser criado; isso para não falar que no processo humano da “criação do Deus cristão”, quem animava tais arquiteturas e modelamentos era o próprio diabo.

Jesus expulsa esse “Jesus” como quem expulsa ao diabo; e repreende esse “Deus” como quem repreende Satanás.

Quem disse que o Templo se tornara morada de demônios humanos e também invisíveis, é o mesmo que inspirou Paulo a dizer que os sacrifícios oferecidos em nome de Deus e realizados no espírito da religião de pedras, leis e morte, eram sacrifícios feitos aos demônios, e não a Deus.

Assim, a macumba está onde ela é vista; porém, a pior de todas é aquela que usa “Deus” como mascara para o diabo.

Leia a Palavra, a História e a vida. Então, ouse dizer que estou exagerando. Mas não antes disso. Ou seja: se você é ignorante, fique calado; e se não é, pense sem preconceitos, e veja se seu ânimo nazi-religioso ou nazi-cristão procede de Deus, conforme Jesus, ou se vem diretamente da agencia de estelionato do inferno.



Nele, em Quem reside minha autoridade,



Caio
20/08/07
Manaus
AM

quarta-feira, 6 de maio de 2009

domingo, 3 de maio de 2009

Vídeo: Música Oh! Minas Gerais na voz de Almir Sater


Pra quem conhece esta bela terra mineira sabe que esta música conseguiu resumir um pouco do sentimento de quem por aqui nasceu ou de quem por aqui viveu.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Sem Mistério, Sem Projetos, Sem Estratagemas, Apenas no Caminho

Por Carlos Bregantim


Perguntam-me sempre sobre "MEU MINISTÉRIO, MEUS PROJETOS, MINHA VISÃO, MINHA MISSÃO, MINHA ESTRATÉGIA", e por aí vai.

Houve um tempo em que me afligia quando me perguntavam: "ONDE VOCÊ ESTARÁ DAQUI A 10 ANOS?", OU "O QUE VOCÊ ESTARÁ FAZENDO?", OU "O QUE DIRÃO A SEU RESPEITO QUANDO VOCÊ MORRER?"

Hoje, apenas respondo que estou no Caminho. Quando digo que estou no Caminho, não digo que estou num movimento histórico chamado Caminho da Graça. Digo que estou no Caminho.

O Caminho que é uma Pessoa, que tem um Nome, e seu Nome é Jesus de Nazaré, o Cristo de Deus.

Embora faça parte com muita alegria deste movimento, junto com outros caminhantes, mas, o que me da prazer é estar no Caminho.

Por estar no Caminho, tenho aprendido que devo entregar o MEU CAMINHO àquEle que é o Caminho e apenas caminhar.

Caminhar lidando com tudo que vai acontecendo no caminho, na certeza que, estando MEU CAMINHO nas mãos do Caminho, tudo acontecerá na medida e na proporção do interesse daquEle que é tudo o tempo todo.

Não preciso responder nada sobre resultados, estatísticas, prazos, cronogramas, estratégias, organização ou estrutura, pois tudo no caminho que está nas mãos do Caminho acontece para o bem daqueles que amam o Caminho.

Agora também me perguntam como vai o Caminho. Digo sempre que o Caminho não poderia estar melhor.

"Mas, e o Caminho da Graça, como está?", perguntam outros. Eu digo que está onde sempre esteve e estará, isto é, no coração daqueles que creem no Caminho e a Ele se entregam de maneira irrestrita, e passam a viver para servir a Deus e às pesoas.

Perguntam então sobre o MEU CAMINHO, e respondo também que não poderia estar melhor, pois está nas mãos do Caminho.

Isto não implica dizer que "TUDO ESTÁ BEM", até porque a vida não é assim pra ninguém. Ninguém tem tudo que quer o tempo todo.

Implica dizer como o Paulo, apóstolo, "APRENDI A ME ADAPTAR A TODAS AS CIRCUNSTÂNCIAS", de modo que, independentemente do curso das coisas, das alegrias e tristezas, vitórias ou derrotas, os solavancos da vida, e tudo que é inerente ao existir nesta dimensão da eternidade, digo: ESTOU BEM.

Estou bem hoje. É o que basta.

Tenho para o dia de hoje. Isto é bom.

É assim que tem sido. É assim que desejo que continue sendo.

Estou no Caminho da Graça que está nas mãos do Caminho e, em qualquer lugar, qualquer dia e hora e com algumas ou muitas pessoas, o que vale é o que o Caminho tem sido em nós e o quanto nós estamos sendo no Caminho de modo que muitos vejam e encontrem o Caminho, a Verdade e a Vida.

Nos vemos no caminho e o Caminho nos vê a todos.

Enquanto movimento, também podemos nos ver no Caminho da Graça em vários lugares, dias e horários por este Brasil a fora. Clique aqui e veja se há algum grupo perto de você. ( http://www.caiofabio.com/2009/conteudonews.asp?codigo=)

Graça, paz & todo bem da parte do Caminho a você e sua casa.


Bjs.


Carlos Bregantim
22 de abril de 2009
São Paulo - SP
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