domingo, 21 de junho de 2009

SERÁ QUE CUIDAMOS, REALMENTE BEM, UM DO OUTRO?

por Riva Moutinho


No livro de Eclesiastes 4: 9 e 10 nos diz que é “Melhor serem dois do que um”, “porque se um cair o outro levanta o seu companheiro”; mas quantos de nós estamos realmente se importando se o outro está de pé ou não? Quantos de nós estamos realmente preocupados em saber se o outro está bem? Quantos de nós nos importamos realmente com o outro?

No capítulo 10 do Evangelho de Lucas a partir do verso 30, Jesus responde a pergunta: “Quem é o meu próximo?” Entre tantas lições que podemos retirar da Parábola do Bom Samaritano uma coisa é certa: O meu próximo nem sempre é aquele que caminha comigo, mas de certo é aquele que comigo forma um. E esta unicidade não provém de nenhum acordo, contrato ou qualquer coisa similar, mas sim da reciprocidade do amor, pois bem sabemos que “sem amor nada seremos.

Claro que na parábola do Bom Samaritano, ao ajudá-lo o samaritano não se preocupou em se fazer conhecido ao que fôra ajudado, mas de fato, todos os que passaram pelo caminho e viram o ferido sequer criaram qualquer possibilidade de, com ele, formarem um. O samaritano contrariou todas as leis existentes quer sejam políticas, religiosas, culturais enfim... e se abriu a possibilidade de formar um.

E são estas possibilidades que a cada dia que passa reduzem mais, pois vivemos em um mundo que preza a velocidade; e quanto mais rápido for, melhor. Vivemos em mundo cada vez mais impessoal, pois sobram maneiras de se relacionar a distância (ainda que esta distância seja dentro da própria cidade em que mora). Vivemos em um mundo que tem ensinado o homem a se relacionar muito mais com máquinas do que com pessoas. Por fim, vivemos em um mundo de pessoas cada vez mais stressadas e, por conseqüência, impacientes em conhecer aquele que está ao lado ou o outro.

Apesar de todo o aparato tecnológico que tem destruído distâncias e limites territoriais, o homem está cada vez mais distante do outro e cada vez se importa menos em saber como vai o outro.

Atualmente é fácil nos relacionarmos com pessoas em qualquer parte do mundo e, inclusive, manter um relacionamento ainda que nunca vejamos pessoalmente este alguém. Apesar desta quebra de barreira ser fantástica, o que temos feito para que isto se torne uma ferramenta para que possamos nos tornar dois com alguém?

O que adianta palavras bem escritas e frases bem colocadas se o que permanecemos sendo são seres atropelados pela velocidade e pela regra máxima do mundo: faça por merecer?
Definitivamente o meu próximo é qualquer um, de qualquer lugar, de qualquer nacionalidade, de qualquer credo, de qualquer cultura, de qualquer sexo, de qualquer posição política...
Mas assim como o Bom Samaritano, o que tenho feito para que a oportunidade de “sermos um” aconteça? Com quantas pessoas você realmente se preocupou hoje, ontem, esta semana, este mês... Quantas pessoas que estavam ou estão ao seu lado você sabe se estavam ou se estão precisando de ajuda? Quantas pessoas você investiu algum tempo seu hoje para simplesmente ouvi-la?

Se o mundo é mesmo parecido com o que vejo, prefiro acreditar no mundo do meu jeito.(Renato Russo) E este mundo que creio tem como base pra vida o Evangelho de Jesus. Então, se não posso mudar o mundo, vou fazer o que me vem à mão para fazer com todas as minhas forças; reconhecendo tantas falhas que tenho cometido, mas buscando-me manter na certeza de que a cada dia posso ser renovado por este Evangelho.

É muito provável que eu não tenha me preocupado realmente com você da maneira como você gostaria que fosse; mas saiba que tenho tentado todos os dias deixar a oportunidade de juntos sermos dois.

Beijo no seu coração
E espero encontrar contigo no próximo domingo, no Graça & Prosa.

Riva Moutinho
BH 21/09/2009

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