segunda-feira, 27 de julho de 2009

OU É O EVANGELHO OU É DOENÇA!

por Caio Fábio


Como podemos conhecer Jesus nos evangelhos e, por tal via, confessarmos que O conhecemos pela fé, e, ainda assim, nos deixarmos levar por tantas outras coisas chamadas espirituais que nada têm a ver com Jesus ou com o espírito do Evangelho?

Paulo falou de conhecer Jesus no espírito e conhecer Jesus segundo a carne.

Ora, conhecer Jesus segundo a carne é conhecer apenas o Jesus-Informação-Histórico-Religiosa. Nos dias de Paulo, essa denúncia também incidia sobre aqueles que se diziam discípulos de Jesus mas viviam na Lei, e não na Graça.

Conquanto Jesus seja também uma informação histórica — afinal Ele existiu, e nós não estávamos lá quando isso aconteceu, razão pela qual dependemos completamente das descrições que os evangelhos fazem de Jesus a fim de melhor discernir Seu espírito —, no entanto, o discernimento de Quem Ele era só acontece como revelação de Deus no coração. Do contrário, a pessoa pode até confessar a Jesus como Senhor, mas fazer isso como crença religiosa, e não como o fruto de uma relação de Conhecimento de Jesus.

A História do Cristianismo está marcada por aqueles que conheceram Jesus segundo a carne (a maioria quase absoluta) e aqueles que O conheceram segundo o espírito. Aliás, se fôssemos medir qual dos inimigos do Evangelho mais demandaram energia de Jesus e de Paulo, veríamos que o diabo, o mundo, o império romano e todas as Potestades não estiveram na “pauta dos incômodos” de suas vidas tanto quanto os que conheciam Jesus apenas segundo a carne.

Jesus “gastou mais energia” nos encontros com escribas, fariseus, saduceus e autoridades do Templo do que com qualquer outra forma de oposição. Seus suspiros de angústia sempre foram provocados por estes.

Já Paulo teve nos “falsos irmãos” e nos “judeus zelosos da lei” seus maiores inimigos. É como combate às heresias que pretendiam relativizar a Graça de Deus que o tema central de suas cartas acontece, ora combatendo o ascetismo religioso de influência grega, que buscava purificação pela abstinência de quase tudo ou pelo conhecimento de supostos mistérios, ora enfrentando as mesmas relativizações da Graça que eram feitas pelo outro pólo, o pólo da Lei, que, se fosse crida como estando ainda vigente, desconstruiria o significado da Cruz de Cristo. A respeito disso Paulo diz que a Lei morreu com Ele na Cruz para que, agora, libertos de nosso antigo e penoso casamento com a Lei, pudéssemos ficar livres para nos casar de novo, agora com a Graça de Deus em Cristo.

Desse modo, conhecer Jesus apenas segundo a carne faz de muita gente vampiros sugadores da energia de almas boas. Sim, porque os que mais sugaram o sangue de Paulo foram estes.

É esse conhecimento de Jesus segundo a carne, apenas como informação histórica e dogmática, o que mais drena a energia espiritual de quem deveria estar pregando o Reino de Deus, e não sendo sugado pelas sanguessugas da religião. Eu ousaria dizer que talvez 95 por cento do que suga a nossa energia na “causa cristã” nada tem a ver com Jesus segundo o espírito, mas apenas com o Jesus segundo a carne.

Ora, isso vai das formalidades e das politicagens dos concílios e das convenções denominacionais e ministeriais até as mais cretinas formas de perversidade praticadas em nome de Jesus, feitas de fofocas, intrigas, intervenções, tiranias, perseguições neuróticas e invenções mirabolantes que tiram a simplicidade do Evangelho, fazendo dele um feioso produto da religião.

Conhecer Jesus apenas segundo a carne faz mais mal do que não conhecer Jesus de modo algum. Isso porque nenhuma perversidade é mais chocante do que aquela que se faz em nome de Jesus ou que se torna farisaísmo legalista feito em nome dEle, pois isso introjeta o oposto na alma: o ser-diabo, como Judas, que O conheceu segundo a carne apenas.

Paulo um dia conheceu Jesus como informação histórica apenas, e dedicou-se a acabar com Ele na Terra. Resfolegava ódio. Ficou perverso. Torturou. Fez muitos sentirem tanto medo e dor que negaram a própria fé.

Paulo foi membro do “DOI COD” dos que apenas conhecem Jesus “de fora”. É que qualquer associação com Jesus que não seja no espírito, como conhecimento relacional, mediante apenas a fé, não tem o poder de fazer bem, embora tenha o poder de fazer o pior mal, que é o Mal de Lúcifer: aquele que vira diabo na presença-não-amada-de-Deus.

Sim, eu lhes digo, amigos, sem medo de errar: é melhor que uma pessoa não conheça nada de Jesus e viva solitária e ignorante na beira de um barranco de um rio da África ou do Amazonas do que dizer que conhece Jesus quando apenas conhece a Sua suposta representação: a igreja e seus muitos e muitos ídolos, lugar onde muitas vezes reina a soberba, que foi a condenação do diabo.

Sim! É melhor nada saber do que pensar que sabe e, naquele Dia, ouvir o Senhor dizer: “Eu nunca vos conheci”.

Conhecer Jesus segundo o espírito é conhecer o espírito do Evangelho, e, no poder e na liberdade no Espírito Santo, experimentar o Evangelho como supremo benefício para a vida.

Conhecer Jesus segundo a carne é como olhar para um Objeto do lado de fora, observando-o. Já conhecer Jesus segundo o espírito é como ver “de dentro” da Pessoa dEle.

Sim, você passa a ver tudo “de dentro”, não mais “de fora”. E isso só acontece como iluminação dos olhos do coração, os quais só são abertos pela manifestação da Graça, abrindo o entendimento. Do contrário, nem todos os seminários de teologia podem abrir espiritualmente o entendimento de ninguém.

Enquanto Deus é visto “de fora” e não “de dentro” dEle, saiba: a pessoa não conheceu ainda o que é "estar em Cristo”.

Ora, “estar em Cristo” é de fato estar em Cristo. Daí em diante se vive e se vê “de dentro”, pois, pela mesma razão, se pode também dizer: “Cristo vive em mim!”


NEle,


Caio

quinta-feira, 23 de julho de 2009

CRESCENDO NA GRAÇA E NO CONHECIMENTO DO EVANGELHO

Por Caio Fábio


A Graça é inclusão imerecida em tudo o que Deus chama bom e bem.

Desse modo a Graça nos inclui para nos acolher e nos inclui para nos enviar.

Sim! Porque a Graça é tudo. Graça é o que de Deus nos vem. E o que Dele não nos vem?

Ora, no início minha preocupação era com a dimensão inclusiva da Graça e com o poder de anulação da Lei como meio de salvação, posto que se é de Graça não decorre de Lei, conforme Paulo.

Assim, dediquei os primeiros anos dessa nova jornada ao trabalho de ajudar as pessoas entenderem essa dimensão fundamental. Penso que a maioria entendeu.

Agora, chegou a hora de avançar nas muitas e infindáveis outras dimensões da Graça de Deus em nós.

Chegou a hora da Graça do Trabalho.

Chegou a hora da Graça de dar.

Chegou a hora da Graça de se dar.

Chegou a hora da Graça de expandir dons e serviços da fé.

Chegou a hora da Graça como missão no mundo.

Chegou a hora da Graça como compromisso.

Chegou a hora da Graça como o privilégio de ser responsável.

Chegou a hora da Graça para os gratos e engajados por amor.

A Graça nos tira do lixo para o tesouro!

Mas tem gente que deseja apenas a Graça que perdoa quem está no lixo, embora não haja em tais pessoas nenhum desejo de sair de lá. Assim, a Graça salva pelo fogo, mas não derrama fogo do céu sobre a cabeça da pessoa como poder e unção.

Em outras palavras (e minha mulher e alguns irmãos do Caminho são minhas testemunhas quanto ao que direi) — chegou a hora na qual aqueles que dizem que são abençoados com o que ensino, me levem mais a sério do que nunca, pois, esse tempo todo, apenas aguardava a hora madura para iniciar essa outra viagem: a jornada na Graça como alegria de servir a Deus e ao próximo, com todos os dons da Graça que o Espírito Santo sobre nós tem derramado.

Agora é que a viagem começará a ficar linda, rica e excitante!

Você vem?

Nele, em Quem a Graça não é vã,


Caio

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Pastores que Oprimem

FONTE: Revista Cristianismo Hoje

jornalista evangélica Marília Camargo César

Adriano era um profissional com futuro promissor. Advogado formado pela prestigiada Universidade de São Paulo, a USP, ele ainda ocupava a função de obreiro na igreja que frequentava. Aspirava ao pastorado – o que, conforme a própria Bíblia, é uma excelente opção para o crente. Fiel ao seu líder espiritual, Adriano costumava seguir seus conselhos e determinações à risca, entendendo que desta forma estava agradando a Deus. Chegou a fazer um voto público de lealdade ao dirigente. “Ele fazia uma espécie de mantra em torno do versículo que diz que quem honra o profeta recebe galardão de profeta”, lembra. Gradativamente, o jovem obreiro passou a negligenciar suas responsabilidades fora da igreja, como o trabalho e o cuidado com a família, tudo em prol daquele seu voto. Submetia-se a condições duras, enquanto o pastor não se furtava a luxos como mesas fartas e carros importados. A mulher e os dois filhos de Adriano acabaram abandonando-o, não suportando o controle exercido pelo pastor sobre sua vida. Frustrado, o advogado fraquejou na fé, envolveu-se com outras mulheres e acabou engravidando uma delas.

A vida do rapaz virou do avesso. Hoje, Adriano aguarda o nascimento do bebê inesperado e preocupa-se com o baixo orçamento e a impossibilidade de rever constantemente os filhos, que vivem com sua ex-mulher. “É uma loucura o dano que meus filhos sofreram por causa disso tudo. Não há indenização que pague o que esse pastor causou em minha vida”, desabafa. Este e outros relatos, verídicos apesar da omissão dos nomes verdadeiros, constam do livro Feridos em nome de Deus (Mundo Cristão), da jornalista evangélica Marília Camargo César. A partir do depoimento de gente que se considera vítima de líderes religiosos autoritários, a autora realiza um estudo sério sobre essa realidade, analisando as diferentes situações envolvidas no círculo de abuso com sensibilidade e propriedade. A obra descreve as diferentes formas que o abuso religioso pode assumir – pastores que dominam suas ovelhas sob o ponto de vista emocional, financeiro e psicológico, quase sempre com consequências ruins. “O líder impõe sua visão de mundo sobre a ovelha, e esta a aceita como uma ordem divina que precisa ser obedecida, sob pena de punição”, diz Marília.

“O abuso espiritual poderia ser definido como o encontro entre uma pessoa fraca e uma forte, em que a segunda usa o nome de Deus para influenciar a outra e levá-la a tomar decisões que acabam por diminuí-la física, material ou emocionalmente”, define Marília. O problema acontece mais comumente em igrejas pentecostais, onde geralmente o líder tem maior autonomia e pode apelar para elementos empíricos, como supostas profecias ou revelações para legitimar seu domínio sobre a vida dos fiéis. Estabelece-se então uma relação que vai muito além do saudável discipulado bíblico e pode envolver áreas pessoais da vida do crente. “A obediência ao líder não pode ser cega. Todo ensino deve ser confrontado com as verdades bíblicas, para evitar desvios de rota”, adverte o pastor Paulo Romeiro, autor dos livros Supercrentes e Decepcionados com a graça, lançados pela mesma editora, em que aborda, entre outros assuntos, a questão do controle exagerado do rebanho pelos pastores. Para o estudioso, no entanto, um erro não pode justificar outro: “A Epístola aos Hebreus que ordena explicitamente: ‘Obedeçam aos seus líderes e submetam-se à autoridade deles. Eles cuidam de vocês como quem deve prestar contas. Obedeçam-lhes, para que o trabalho deles seja uma alegria e não um peso, pois isso não seria proveitoso para vocês’”, recita.

“Porta-voz divino” – Quando o círculo do abuso religioso é analisado mais de perto, nota-se que ambas as partes, abusado e abusador, sofrem no processo. A base dessa semelhança está no fato de que, em um dado momento, as duas pontas perderam o controle, sua identidade e a própria dignidade. “Quem exagera no autoritarismo também foi ou está sendo vítima de abuso”, aponta o pastor batista Ed René Kivitz. Ele explica que a figura de um pastor único não tem respaldo do Novo Testamento. “A única vez em que a palavra ‘pastor’ é usada no singular é para se referir a Jesus. Em todas as demais, é usada no plural, para indicar um grupo de anciãos, ou presbíteros, que zela pelo bem-estar de toda a comunidade.” Nesse caso, a autoridade fica dividida entre um colegiado, o que dificulta a possibilidade de haver exageros no controle da obra de Deus e força os líderes a prestarem contas uns aos outros.

Fato é que muito sofrimento poderia ser evitado nas igrejas se os fiéis estivessem mais preparados para reconhecer os abusadores ou o ambiente propício para formá-los. O pastor Ricardo Gondim, dirigente da Igreja Betesda em São Paulo, realizou um estudo expondo algumas características comuns aos pastores abusadores. Entre estas, encontra-se a postura incontestável do líder, o qual passa a ter a palavra final para todas as questões, tornando-se dono da verdade, uma espécie de “porta-voz divino”. “O medo na relação entre o fiel e seu pastor pode ser um sinal de problemas, pois essa relação deve ser permeada de amizade sincera, doação, afeto e solidariedade”, comenta Gondim.


Autoritarismo, manipulação e desrespeito

Autora do livro Feridos em nome de Deus, a jornalista Marília Camargo César falou sobre as dimensões que o abuso espiritual pode ter na vida de fiéis submetidos a lideranças eclesiásticas autoritárias. “Mas é possível identificar o problema e lidar com suas consequências”, diz, nesta entrevista a CRISTIANISMO HOJE:

CRISTIANISMO HOJE – A senhora diz que a motivação para escrever o livro foi um caso de abuso espiritual que presenciou. Fale sobre essa experiência.

MARÍLIA CAMARGO CÉSAR – Não fui, particularmente, machucada por pastores, porque não andava rotineiramente muito próxima deles, embora convivêssemos bem. Mas testemunhei, na vida de amigos próximos, o estrago que o convívio com nossas antigas lideranças produziu. Muitas histórias de abuso começaram a aparecer depois que um dos pastores de nossa antiga comunidade afastou-se por motivo de saúde. Pessoas que caminhavam bem perto daquele líder começaram a contar histórias tenebrosas de abuso de poder, manipulação psicológica e tirania explícita. As vítimas de abuso eram pessoas adultas e com uma boa formação socioeconômica, por isso eu não conseguia entender como haviam se deixado manipular daquele jeito, só tendo coragem de denunciar o que havia depois que ele se afastou.


Qual foi o caso mais grave de abuso que a senhora conheceu enquanto escrevia o livro?

Foi o caso de uma jovem que sofria de uma doença degenerativa rara – miastenia gravis – e que foi simplesmente massacrada por sua congregação porque não alcançou plenamente a cura. Além desse problema, ela foi levada a crer, pelo pastor, que deveria orar e investir num relacionamento afetivo com um rapaz da igreja, situação que acabou lhe causando enorme constrangimento quando ele apareceu na igreja com uma nova namorada. De certa forma, foi bom para ela, porque o embaraço serviu-lhe para mostrar o nível de adoecimento daquela comunidade, o nível de fundamentalismo que praticavam, e isso acabou por abrir os seus olhos. Ela saiu da igreja e, até onde eu sei, não fez parte de nenhuma outra congregação desde então.


Em sua opinião, quais são os principais tipos de abuso espiritual e suas características?

O livro fala de abuso de poder, de abuso financeiro, mas mostra as nuances do abuso que julgo mais sutil e difícil de identificar, mas bastante devastador da mesma forma, que é o abuso de ordem psicológica ou emocional. O líder impõe sua visão de mundo sobre a ovelha, e esta a aceita como uma ordem divina que precisa ser obedecida, sob pena de punição. O pastor diz, por exemplo, que o discípulo deve casar-se com determinada pessoa, porque teve uma “visão” de que esta era a vontade de Deus para a sua vida. Não importa que não haja, a princípio, nada em comum que possa unir aquele casal. E o fiel obedece. O pastor fala para uma mulher que apanha sistematicamente de seu marido que ela deve fidelidade a ele, porque isso é bíblico. Ou então fala para uma pessoa com uma doença grave que ela ainda não foi curada porque está fraquejando na fé. Todos esses são exemplos reais de pessoas que só se recuperaram emocionalmente após muitas horas de psicoterapia. E, claro, após deixarem essas igrejas.


E por que as pessoas deixam a situação chegar a tal ponto?


Depois de escrever o livro, compreendi que, quando acreditamos estar sofrendo alguma coisa por amor a Deus, aguentamos as piores humilhações. Aquelas pessoas acreditavam, sinceramente, que estavam sendo disciplinados por profetas do Senhor para o seu próprio bem e crescimento espiritual, quando na verdade estavam sendo é espezinhados emocionalmente.


Como os abusos podem ser evitados?


Maturidade espiritual não é alguma coisa trivial, que se alcance da noite para o dia. É preciso uma longa caminhada, tolerância e paciência; o fiel precisa estar bem acompanhado – e aí se incluem lideranças maduras, com uma boa formação, saudáveis física, psicológica e teologicamente, que possam ensinar um cristianismo autêntico, vivo e não-fundamentalista. É preciso também cercar-se de amigos verdadeiros, que nos apoiem e não fiquem nos julgando quando falamos aquilo que estamos sentindo, por mais horrível que isso possa ser.

sábado, 11 de julho de 2009

O HOMEM É SEMENTE...

Caio Fábio


Ninguém foi mais claro e simples do que Jesus quanto a definir as conseqüências que advém de todas as expressões do homem no mundo.

Cada um será julgado pelo que foi. Sim, antes de tudo cada um de nós será julgado pelo que é..., muito mais do que em razão do que se faça.

Esta é a razão pela qual muitos que não fizeram nada de errado serão julgados negativamente, não em razão do que fizeram, mas sim de quem foram, puderam e tiveram..., e, portanto, pelo que podendo..., deixaram de fazer de bom.

Na Parábola das Ovelhas e Cabritos [Mt 25] Jesus nos ensina que a omissão é homicida e atraidora de grave juízo de Deus.

Não é preciso que se faça algo errado... Basta que não se faça nada... e tudo já está errado... Sim, pois até o não fazer, o se omitir, indica quem somos...

Na realidade o que o Evangelho ensina é que não é possível existir sem semear sementes de vida ou morte...

Somos semeadores sempre...

Nosso existir semeia sementes o tempo todo, seja por palavras, pensamentos, sentimentos, atitudes, juízos, ações ou omissões.

Não é possível existir sem semear!

Existir é semear...

Por isto não existe uma existência neutra, como se fosse uma Suíça existencial. Quem existe, semeia...

É por isto que somos advertidos que seremos sempre conhecidos pelo fruto de nossa vida, pois, eu semeio o que tenho no coração.

Mangueiras não dão semente de Fruta-Pão ou produzem flor de cactos.

Foi por esta razão que Jesus foi tão insistente no fato que pelos frutos se conhece o homem, assim como pelos frutos se conhece a árvore.

E mais:

Ele nos deu a mais simples forma de discernir a verdade da vida apenas vendo o fruto da vida.

“Podem ser colhidos figos em espinheiros ou uvas em abrolhos?”

O irmão de Jesus, Tiago, pergunta:

“Pode acaso a mesma fonte jorrar o que é doce e o que é amargo?” — seguindo a mesma lógica da vida ensinada por Jesus.

Paulo nos diz que tratar com descaso tal fato do existir é zombar de Deus, é achar que tal Princípio terá na pessoa que brinca com a vida a sua exceção...

“De Deus não se zomba: pois aquilo que o homem semear isso também ceifará”.

Ou seja:

Quem pensa que pode driblar tal Princípio da Vida, que diz que todo existir produz fruto — bom ou mal; e cada um com suas conseqüências, boas ou más — está brincando com Deus, ou em franco e explicito processo de zombaria de Deus como Criador de todos os Princípios da Vida.

Semear intriga e se queixar de receber ódio é zombaria...

Semear desconfiança e não aceitar colher suspeição ou distancia é brincar com Deus.

Semear corrupção, ou inveja, ou maldade e injustiça, e pretender não colher o desprezo que a maioria dá ao invejoso, o ódio que quase todo homem devolve à maldade e à injustiça recebidos, e ainda perguntar a Deus “por que” e se vitimar diante dos homens como um inocente... — é abominável diante de Deus.

O homem recebe espiritualmente da vida o que espiritualmente semeia na vida; assim como se ele plantar uma semente de uma qualidade e natureza específicas em seu pomar, colherá o fruto que corresponde à semente que ele plantou.

E mais:

Tem-se que saber que Deus perdoa as falsas semeaduras de nossa existência, ou as más sementes lançadas pelo nosso existir, ou mesmo os equívocos de nossas ações, mas, mesmo assim, não nos isenta conhecermos as conseqüências de nossa semeadura existencial e comportamental.

O “malfeitor perdoado” ao lado de Jesus na Cruz foi para o Paraíso, mas colheu todas as conseqüências que sua semeadura humana produziu no mundo.

Aliás, a primeira luz que nele brilhou como ação da Graça de Deus em sua consciência foi compreender que aquilo que o homem semeia ele mesmo ceifa — posto que dissesse: “... nós estamos recebendo o pagamento justo que os nossos atos merecem”.

Você anda por aí cheio de raiva, de cobiça, de amargura, de antipatia, de luxuria, de inveja, de maquinação, de ocultação, de omissão, de manipulação, de mentira, de infidelidade, de ciúmes, de intrigas, de mesquinharia, de intransigência, de desamor, e, depois, espera o quê?

Espera ser amado, querido, respeitado, tratado com dignidade, abraçado com sinceridade?

Sim, espera ficar amigo de Deus, dos anjos e dos homens bons?
Já vivi o suficiente para saber que tudo tem as suas conseqüências.

Sim, podemos até prová-las [as conseqüências] de modo já perdoado, como aconteceu com Davi, mas, mesmo assim, estaremos perdoadamente tendo que viver com as conseqüências do que plantamos.

É também por esta razão que a Sabedoria diz:

“Alegra-te jovem na tua juventude, e recreie-se o teu coração nos dias de tua mocidade; anda pelos caminhos e satisfazem ao teu coração e agradam aos teus olhos... Sabe, porém, que de todas essas coisas Deus te pedirá conta”.

Ao assim dizer a sabedoria ensina que o homem tem que escolher sempre, e que até as escolhas da juventude mais tenra têm suas conseqüências.

Daí a Sabedoria mandar viver até mesmo nos anos da “irresponsabilidade” — quando “love, then, is something easy to play” — com alegria consciente, pois, mesmo na alegria tola se está semeando algo sempre, e que sempre voltará para nós, não porque Deus o traga, mas apenas porque o semeador e a semente sempre se encontram na vida, posto que na existência o semeador e a semente sempre tenham a mesma natureza e qualidade de ser e existir.

Assim, é preciso realmente saber que tudo o que dizemos, fazemos, pensamos e imaginamos, nós irradiamos...

Sim, até quando nos omitimos e cruzamos os braços...

Outra coisa a se saber é que assim como semeamos em outros, também em nós outros semeiam.

Na realidade existe a semente em mim, no mínimo ambivalente; todavia, com tendência natural a tornar-se apenas mato ou espinheiro.

Entretanto, além disso, outros também semeiam em meu ser desde sempre. São heranças culturais, são influencias na infância, são amizades na adolescência, são traumas familiares, são impressões deixadas por pessoas que passam pela nossa vida..., além das sementes invisíveis das forças e poderes do ambiente espiritual que nos cerca.

No entanto, não se deve culpar os que semearam coisas ruins em nós, pois, culpá-los não salva a ninguém, muito pelo contrário; visto que na maioria das vezes os que assim fazem transferem para outros a responsabilidade..., jamais se curam em relação ao que neles foi semeado como mal.

Eu sou o responsável pelo que semeio e por não deixar que o que foi semeado de ruim em mim... se torne a minha própria semente na vida!

Afinal, é assim que é; pois, tribulação, dor, corrupção e morte vêm sobre a alma de todo homem que semeia o mal; assim como glória, honra, incorruptibilidade e vida eterna brotam como fruto normal na vida de todo homem que busca e faz o que é bom.

Duvidar disso e não atentar para tal realidade imbatível da existência, é como enforcar-se para dormir, esperando acordar um pouco mais descansado...

Nele, em Quem aprendo que aquilo que se semeia, se colhe, mesmo que o perdão nos tenha sido concedido pelo Pai,



Caio
8 de julho de 2009
Manaus - AM
www.caiofabio.com
www.vemevetv.com.br

domingo, 5 de julho de 2009

CUIDADO COM A MAGIA NEGRA DA INGRATIDÃO!

Caio Fábio


Se sou tão ignorante como sei que sou, então, minha gratidão consciente diante de Deus sempre representa uma fração mínima do que seja o cuidado de Deus para comigo.

Na realidade todas as vezes que agradeço livramentos de Deus para comigo, na mesma gratidão consciente incluo todos os milhares de livramentos reais que nunca percebi.

Para cada livramento que vejo há milhares de livramentos que não vejo e que provavelmente apenas conhecerei na eternidade.

Muitas vezes me sinto como um retardado que agradece ao Pai por cuidados pequenos e interessantes a mim, enquanto tudo o mais é cuidado do Pai, embora eu somente veja os presentinhos ou os livramentos das barras pesadas.

Entretanto, o homem deve ser grato pelo menos pelo que veja...

Assim como somos responsáveis pelo irmão carente que vemos e podemos ajudar... [conforme I João], também somos responsáveis pela alegria em razão dos livramentos que se veja e se reconheça [...], embora a maturidade nos leve depois de um tempo a sermos também gratos pelo que não vemos; visto que aí estão os livramentos em quantidade muito maior.

Por isto todo dia agradeço ao Pai pelo que vejo e também pelo que não enxergo, pois sei que a multidão dos livramentos que recebo são maiores que minha própria ignorância, que é imensa.

Maiores são os livramentos divinos que não vejo do que os que eu percebo.

Quando alguém aprende o tamanho de sua própria ignorância acerca do que esteja acontecendo na vida — de mundos micro-bióticos invasivos e letais, até acidentes fatais que não vemos em razão de termos sido poupados até de enxergá-los —, então, daí em diante, o que não lhe faltará jamais será gratidão no coração, posto que tal consciência saiba que para cada razão consciente de gratidão, há milhares de livramentos invisíveis, que desconhecemos, mas que podemos ter certeza de terem acontecido; pois o mundo que não vejo, para o bem e para o mal, é infinitamente maior do que o mundo que vejo e percebo como real.

É a mesma coisa com o pecado oculto e que coabita com minha ignorância.

Sim, para cada pecado consciente que cometo ou me dou conta de ter cometido, há os milhares de pecados que nem vejo, nem percebo ou nem mesmo discirno... — tamanha é minha ignorância até mesmo acerca do meu pecado e da extensão dele.

Do mesmo modo e talvez em extensão bem maior, é o que acontece em relação ao livramento de Deus, que não somente é maior do que o meu pecado, mas, sobretudo, é infinitamente maior do que a minha percepção da própria Graça que eu recebo sempre.

Portanto, a expressão “andar de joelhos” não é um exagero, pois, se meus olhos se abrissem, e eu visse a grandeza do que me salva e me poupa todos os dias, seria assim que minha alma me impeliria a andar sobre o chão da terra: de joelhos...

Todavia, como eu sei que nada sei, e como sei que mesmo sem saber de nada sou salvo de tudo o que ignoro, então, sabendo factualmente ou não de qualquer coisa em meu favor, por meramente saber de minha própria ignorância..., ando de joelhos sobre o chão da consciência da minha ignorância e sobre o chão da Graça de Deus que é maior do que eu consiga discernir.

Por isto quem reclama e murmura peca de modo abominável!...

Sim, pois não vê tudo o de que já foi livre e está sendo livre; e, muitas vezes, ignora coisas das quais se está sendo livre até mesmo por meio daquilo que na hora se veja como algo não grato e não agradável.

É por causa de tantos livramentos invisíveis e de tantos livramentos visíveis... que todo aquele que se torna ingrato e murmurador pratica algo mais abominável do que feitiçaria e bruxaria.

Portanto, pare de reclamar... Pare de se auto-vitimar... Pare de murmurar... Pare de apenas achar que a bondade de Deus é o que nos seja visível e gostoso...

Sim, pois toda ingratidão murmuradora se torna como uma grande magia negra para a alma daquele que a pratica.

Sem gratidão pelo que se vê e pelo que se não vê... não existe a menor chance de que alguém prove a alegria do amor de Deus em todas as coisas.

Ora, tudo o que digo aqui é verdade absoluta!

Sim, não está aberto a discussões...

A menos que alguém deseje jogar-se contra a Rocha dos Séculos a fim de ficar todo esbagaçado pela realidade da existência.

É assim que é, e ninguém o fará ser diferente!



Nele, de Quem me vem tal certeza,



Caio
3 de julho de 2009
Manaus
AM

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