quarta-feira, 26 de agosto de 2009

...uma proximidade sem intimidade!

por Caio Fábio


Ler: Marcos 6: 1 a 7.

É tão fácil acostumar-se a tudo, até ao que seja sublime e divino...
É uma desgraça, mas a gente se acostuma até com Deus...
É o tempo, é a familiaridade, é a certeza que não é fé...


Mas o fato é que por todas essas razões e muitas outras, a gente se acostuma a tudo, até ao Espírito Santo...

Sim, podemos nos habituar a Deus...

Por vezes é por causa do “Deus” que não é Deus...; o da religião...

Ou seja: por vezes nos acostumamos apenas porque “Deus é performance” em tais lugares de ensino...

Outras vezes é Deus mesmo Aquele que se conhece..., porém, à semelhança dos de Nazaré, que ficaram tão próximos a Jesus que o perderam de vista, podemos também dizer que conhecemos a turma toda de Jesus: sua mãe, seu pai, seus irmãos e irmãs... — e, justamente por causa disso, não discernirmos o privilégio de Sua presença conosco...

Nesse caso, como em qualquer caso, se diz:
“E admirou-se da incredulidade deles; e entre eles não pôde fazer nenhum sinal, senão apenas curar alguns doentes e expulsar algumas enfermidades”...

Ora, esse mal vai de tudo a tudo...

Afinal, se açambarca até Deus... por que não atingiria cada outra área de nossa vida?

Acostuma-se a se ter uma mulher maravilhosa e fiel, que nos ama, que nos atende em boa vontade e feliz, com admiração e carinho, e com tudo o mais de bom...

Acostuma-se a ter um marido amigo e solidário, fiel e companheiro...
Acostuma-se a ter filhos bons, e tem-se como certo que assim seja...
Acostuma-se com comida, bebida e até com sexo...
Sim, tudo pode cair no nada da atitude blasé, e que dá como certo que tudo de bom seja um dever da vida para com a pessoa...
Até que se fica sem...
Até que a necessidade imponha a realidade...
Até que já não seja...

Então os muxoxos do habito dão lugar aos gemidos da ausência...
Então se vê que o tempo nos cegara...
Então se enxerga que a proximidade pode afastar os acostumados ao que era bom... do que era bom...; mas que não era tratado como tal...

O problema, todavia, é que na maioria das vezes perde-se tudo e não se enxerga ou discerne nada em nós mesmos...

Jesus insiste...
A vida insiste...
O amor insiste...

Mas muitas vezes nem a insistência de Jesus, da vida e do amor nos comovem...
Sim, não é raro que Nazaré não perceba o Nazareno...

Nazaré diz: “Ah! É Ele!? Não conhecemos a turma toda Dele?”...

Assim é que se cria a proximidade sem intimidade, o conhecimento sem discernimento, a familiaridade sem solidariedade, e se troca o sublime pelo nada...

O que fazer?...

Creio que só haja uma salvação...

Tem-se que admitir todos os dias que somos tão ruins que nos acostumamos até com Deus, quanto mais com tudo o mais...

Assim, talvez, quem sabe, nos lembremos que até Deus quer amor, quanto mais todos os demais, que são tão importantes para nós, mas que, pelo habito, caíram na rotina das nossas percepções embrutecidas...

Esta é a Síndrome de Nazaré!...
Leia: A SÍNDROME DE NAZARÉ

Este é o mal de todo homem, ou de quase todos...

Que sejamos salvos de tal dormência onde quer que ela se expresse em nossas vidas!

Amém!


Nele, que pode tudo, mas que não pôde quando não se quis,


Caio

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